Cansadas de viverem sozinhas, de vez em quando as letras resolvem se misturar na cabeça de algumas pessoas e, juntas, formam palavras, que formam textos que, dependendo do momento e da imaginação de cada um, tornam-se contos, ensaios, críticas ou até mesmo incríveis historinhas infantis.
Daí, surgem misturas fantásticas para saciar a nossa fome de beleza e nos levar a um mundo encantado que só a nossa imaginação, unida à imaginação de quem escreve pode desvendar.

sábado, 12 de março de 2011

ESTES TAIS DE COMENTARISTAS...

Fala a verdade, para você o que é um comentarista? Bem, agora é o momento de dizer: bem, comentarista é aquela pessoa que nos enriquece com suas observações, enquanto assistimos a algum evento.
Outro poderia dizer: é aquela pessoa que nos ajuda a entender algum esporte que não conhecemos.
E mais; comentarista é aquela pessoa que nos anima, que nos esclarece. São indispensáveis.
Estes "comentários" correspondem à realidade? De verdade, você concorda com algum deles?
Pois é, nem eu. Gente! Existe nos meios de comunicação alguma profissão mais dispensável do que comentarista.
Não foi a toa que, durante a copa de 2010, o twitter pipocou com o "cala boca Galvão". Eu não suporto ouvir os comentários óbvios ou desnecessários de comentaristas de esportes, de uma maneira geral, de entrega de Oscar e desfile de Escola de Samba.
Minha gente, o que foi aquilo este ano? Eu não tenho a menor paciência para assistir aos desfiles ao vivo. Daí, assisto àqueles compactos, bem compactados, suficientes para termos uma visão dos desfiles.
Mas, mesmo assim, não pude deixar de ouvir os comentaristas se atropelando, cada um querendo mostrar mais conhecimento que o outro, falando de coisas que provavelmente receberam prontas, sobre os carros alegóricos, os personagens, a história contada pelas escolas. Não sei o nome de nenhum deles. Só sei que a voz masculina se não era Galvão Bueno era clone da voz dele. Igualmente irritante. E a comentarista, nem comento. Os dois pareciam estar competindo pelo "estandarte de latão" de comentarista.
As pessoas não têm noção do quanto falam besteiras no ar? Quem se importa que tal time passou 32 anos sem jogar naquele campo em dia de chuva?
A quem interessa que aquele ginasta rodopiou as suas primeiras oitocentas mil vezes usando um padrão azul celeste?
Que é que é isso minha gente? O cara se empolgou tanto com o desfile que daqui a pouco parecia que estava transmitindo os momentos finais de uma corrida de fórmula 1. Aquela voz ansiosa, aquela emoção de quem vai cruzar primeiro linha... emoção que, muitas vezes, só existe mesmo na cabeça deles não é?
Tem gente que vai para o estádio e leva um radio de pilha. Sabe por que? Porque o comentarista narra sempre com muita mais ação do que realmente está acontecendo. Então, às vezes, o jogo está tão ruim que vale a pena fechar os olhos e só ouvir o rádio.
Definitivamente não tenho mais paciência para isso. Bem, jogo de futebol eu não vejo mesmo, de forma alguma. E o resto, patinação no gelo, ginástica olímpica, desfile de Escola de Samba, só consigo assistir se for no modo Mute.
Fala sério! Ninguém merece.

sábado, 5 de março de 2011

O CARNAVAL ESTÁ AÍ. E DAÍ?

Pois é, chegou o carnaval. Nunca se vê tanto alvoroço na cidade quanto nas proximidades do carnaval.
Tudo bem, não tenho nada contra a pessoa se fantasiar e cair no frevo. Até aí tudo bem.
Acho interessante dar uma espiada na TV no sábado pela manhã, para ver um pouco do desfile do Galo.
Gosto de assistir aos telejornais, ver as reportagens sobre o carnaval. Curto a criatividade sadia nas fantasias e tal. Não tenho, é verdade, a mínima paciência para assistir aos desfiles das escolas de samba do Rio ou de São Paulo. Mas se for uma reportagem que mostre flashes do desfile, sem muita repetição, consigo encarar.

Agora, o que eu não consigo mesmo aceitar ou entender é que o carnaval seja sinônimo de permissividade. Isso eu não vou mesmo entender nunca.
Porque as pessoas não podem concentrar sua euforia e sua irreverência nas fantasias e no pula pula? Por que precisam beber até cair, se drogar até morrer, transar até o limite da exaustão e desrespeitar todas as regras da conveniência, da boa educação e do respeito aos limites?

O carnaval é uma grande festa democrática, onde todos brincam misturados, nos blocos, nas ruas, sem distinção de cor, credo ou classe social. Bem, pelo menos é o que a gente acredita. Ou, pelo menos, deveria ser assim. Mas, muitas vezes, o desrespeito é tanto que alguns podem sair machucados, fisicamente e emocionalmente.

Quando o Galo começou a desfilar, eu e meu marido participávamos do desfile. Era muito divertido ver os blocos e as fantasias engraçadas. As pessoas brincavam sem incomodar ás outras. Nunca presenciamos violência ou furtos. Mas, com o tempo, o bloco foi crescendo e, acho que a última vez que desfilamos no Galo foi há pelo menos uns vinte anos. Não consigo nem chegar perto. Assistir só pela TV. Bem longe do centro da cidade.

Adoro o frevo. Não há ritmo de carnaval mais bonito, de se ouvir e de se ver dançar. Curto o maracatu e seus tambores, a sua história e tradição. Acho o carnaval um espetáculo belíssimo, de cores e ritmos. Sou uma fã incondicional da cultura popular e, mais ainda, da cultura popular de Pernambuco.

Mas, infelizmente, enquanto o carnaval for sinônimo de “durante os quatro dias de momo tudo é permitido”, o brilho da festa será sempre ofuscado pelos números finais da violência, das prisões, dos acidentes.

E, enquanto assim for, vou continuar assistindo só de longe. Sem ser obrigada a presenciar cenas desagradáveis de bêbados inconvenientes passando a mão na mulher alheia ou lamentáveis cenas de acidentes de carros e motos esbagaçados. Passando o carnaval em casa, me poupo de ouvir esta famigerada frase: “É carnaval, então tudo pode”. Pois é, é carnaval, eu sei. Mas e daí?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

SAUDADE DO QUE NÃO VIVI

OU QUANTO DÓI UMA SAUDADE

A nossa vida é como um livro de história, que vai sendo escrito, pouco a pouco. Sei que isso é clichê e tal, mas acredito mesmo nisso. As coisas vão acontecendo e se juntando às outras, formando a história de nossa vida.

Cada momento, cada acontecimento, é parte de um determinado capítulo que pode se encerrar em um instante ou se arrastar por toda a vida.

E a nossa história, é claro, vai se entrelaçando com outras histórias, em primeiro lugar com as de nossos pais e familiares e depois, se expande, com a entrada dos amigos, dos amigos dos amigos,dos vizinhos, dos namorados e namoradas, das famílias deles e de tantas outras histórias, alegres ou tristes.

Ontem, encerrou-se, mais um capítulo da minha vida. Morreu uma pessoa que teve muita importância em minha história, embora já não nos víssemos há algum tempo.

Ele e meu pai se conheceram ainda crianças. Por isso, era como se fosse um tio de verdade. Cresceram juntos e, as namoradas se deram tão bem que passaram a formar uma pequena família, sem laços sanguíneos, mas afetivos, muito fortes.

Noivaram, casaram, tiveram a primeira leva de filhos, viviam sempre tão próximos, tão juntos, que eram praticamente como se fossem realmente irmãos.

Entre sete e cinco anos depois, lá chegava a segunda leva de filhos. Igual à primeira, dos meus pais, uma menina, do lado deles, uma menina e um menino.

Crescemos assim, eu, minha irmã e meus quatro primos-irmãos, como uma só família. Todos os sábados, saiam os quatro para passear. O Veleiro e o Barril foram, por muito tempo, seus locais preferidos. E às vezes ia a cambada toda, na maior farra. Como nos divertíamos. Ainda sinto o sabor da melhor coxinha que já comi em minha vida: a do Barril.

Não há um momento sequer de minha vida, até meados da década de 80, que eles não tenham feito parte. Não havia feriado que não passasse com eles. Íamos para hotéis em Fazenda Nova, Garanhuns, ou para casas alugadas em praias como São José da Coroa Grande.

Quando o carnaval chegava, se não fôssemos passar fora, eu e minha irmã nos mudávamos para a casa deles. Às vezes, até meus pais iam também. Brincávamos nas manhãs de sol para as famílias recifenses e à noite nos esbaldávamos no corso. Como eu adorava o corso. Como eu amava chegar em casa toda melada de talco, maisena, café e, todos famintos, esperar pela famosa macarronada de meu primo mais velho: a macarronada da meia-noite. Que delícia!

Tive uma infância muito feliz, ao lado dessa dupla família, que nos levava aos passeios mais incríveis como, por exemplo, sair de Recife para almoçar em um restaurante a 90 km de distância ou ir andar a cavalo em Fazenda Nova e voltar no mesmo dia. Nos tempos da minha infância ainda não havia chegado a crise do Petróleo. Imagino que alguns estão fazendo as contas tentando adivinhar a minha idade.

Havia os passeios de domingo pela manhã ao monte dos Guararapes, onde a gente subia nas árvores e chupava rolete de cana. E pitomba, é claro, quando estava na época. Respirávamos brincadeira e história. E ainda, de quebra, tínhamos direito a uma vista maravilhosa.

Ah! Não posso esquecer os divertidos piqueniques que fazíamos em Itapuama, à época uma praia semi-deserta, com ondas assustadoras. E depois, a travessia das pedras e o banho nas tranquilas águas de uma prainha linda que, só anos depois, descobri que se chama Pedra do Xaréu.

Não convivi muito com a família de meu pai. Portanto, não tive muito contato com os primos de sangue do lado de lá. E, em relação à família da minha mãe, apenas um tia, minha madrinha muito querida e sua única filha, eram os parentes de sangue com quem convivíamos frequentemente e que realmente posso chamar de família. Com esta prima, tínhamos e temos, até hoje, uma relação de irmãs. Seus filhos eram os meus xodós na infância e adolescência. Minhas pequenas e queridas companhias. Hoje, adultos e com filhos, continuamos unidos.

Bem, voltando à outra família, fomos crescendo, os meus primos mais velhos casaram, chegaram os filhotes. Como curti esses priminhos. Quando o primeiro nasceu, como eu trabalhava e estudava a semana toda, todos os sábados eu pegava o ônibus e ia para a casa da minha prima, cuidar do meu priminho. Ele carregou as alianças no meu casamento. Fofíssimo. A irmãzinha dele seria daminha. Até ensaiou. Mas, com apenas dois aninhos, na hora de entrar, se assustou com o fotógrafo e desistiu.

E daí foi a vez da segunda leva casar. Primeiro eu e depois os meus primos. Esqueci de falar nas noites de natal. Eram animadas, sempre com novas crianças nascendo e alegrando a noite. O natal era comemorado em casa de meus pais. E o ano novo, em casa de meus tios, junto com a comemoração do aniversário de meu primo. Um primo que podia não ser de sangue, mas que era mais que isso, era o irmão que eu não tinha, o amigo e confidente. Tínhamos uma amizade tão grande que as pessoas até pensavam que um dia a gente ia se casar. Mas não. Era puro sentimento fraterno. Sempre.

Tive a alegria de ter duas tias incríveis: a minha madrinha, irmã da minha mãe e a tia do coração. Éramos uma pequena família, alegre e unida.

Mas o tempo passou, as coisas foram mudando e, em determinado momento de nossa história, o elo se partiu. Não gosto nem de lembrar quando e como isso aconteceu. Foi banal, foi desnecessário, mas, infelizmente, aconteceu.

Às vezes, as coisas acontecem mesmo assim. Uma pequena fagulha inicia um grande incêndio. Um trincado minúsculo e toda a estrutura de vidro explode em perigosos fragmentos.

E aquela família que eu tanto amava, que já existia antes mesmo de eu nascer, a minha família do coração se desfez em duas partes. Ficamos separados por tão pouco. Passei anos de minha vida chorando a cada aniversário de algum dos meus primos ou dos meus tios. Foi uma recuperação muito difícil. Arrastou-se por anos. Quando nos encontrávamos era sempre tão difícil. Mas o tempo foi passando, e a dor foi se acomodando, querendo cicatrizar, sem muito sucesso. Na verdade, se transformou em uma cicatriz dolorida, que , embora não sangre, está ali, viva, nos lembrando do tamanho da ferida.

Hoje, passados mais de 25 anos, já não existe nenhum vestígio do que fomos, não participamos das vidas uns dos outros. Alguns já não estão mais entre nós. De minha pequena família já partiram meu pai, a minha madrinha e o marido de minha prima. Por outro lado, a família aumentou um pouco com a chegada da esposa de meu primo e de seus dois filhinhos e do marido da minha prima e de sua filhota. e a minha família também cresceu pois, apesar de das minhas três filhas, as duas mais velhas morarem longe, a chegada dos dois genros aumentou a família, ainda que de longe. Somos uma família transcontinental e internacional,

E do lado da minha família do coração, só a minha tia já partiu. Isso até sexta-feira quando, no trabalho, recebi a notícia de que seu marido já não estava mais entre nós. Fazia tempo que eu não o via. Na quarta-feira, de repente, sem nenhuma razão, eu me lembrei dele e me perguntei como ele estaria, se estaria bem e qual seria a idade dele agora. Três dias depois, voltei a vê-lo, só que no velório. Teria ele pensado em mim por algum momento e eu teria sentido isso? Nunca vou saber.

E ontem, durante o velório, falando com meus primos que eu não via há tanto tempo, olhando seus filhos grandes, homens e mulheres, uns casados, com filhos, senti uma saudade enorme, saudade de um tempo que não vivi, que me foi roubado por circunstâncias que poderiam ter sido evitadas... quem sabe?

O bebê que eu atravessa a cidade nas manhãs de sábado para curtir, para cuidar, agora segura seu próprio bebê em seus braços. Um lindo garoto de olhos vivos que nunca me viu e talvez nunca vá saber que eu era louca por seu pai, que eu passava muitas tardes de domingo, junto com meu marido, à época namorado, cuidando dele para a minha prima descansar. Quantas não foram as gofadas dadas nas camisas dele ... lembradas até hoje ...

Olhava para eles, os filhos dos meus primos, sentindo uma tristeza imensa por ter deixado de fazer parte de suas vidas.

Enquanto olhava, de longe, o corpo de meu tio, a serenidade que sua fisionomia passava, relembrava os pratos de banana amassada que ele levava pra gente lanchar, dentro do mar, porque não podíamos perder nenhum minuto saindo para comer fora da água.

Lembrei dos carnavais cheios de animação que passávamos todos juntos, dos passeios, das noites de natal, das caixas de sorvete compradas na fri-sabor para a sobremesa dos almoços do domingo, do doce-de-leite fetio com leite condensado cozido na lata, do tri-campeonato que assistimos todos juntos. Como poderei esquecer da viagem dos quinze anos meu e de meus primos – somos os três do mesmo glorioso ano de 1955. Fomos de carro para a Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, sendo a volta pelo sertão, para visitar a minha prima, o marido e meus dois priminhos, os de sangue.

Foi uma viagem inesquecível, com direito ao carro quebrar a cada vez que subia uma ladeira, mas extremamente gostosa e divertida. Meu pai dirigia e minha mãe, minha tia, eu e meus dois primos só curtíamos a estrada. Meu tio se encontrou com a gente só depois, em São Paulo.

Das minhas três filhas, só a mais velha ainda conviveu com toda a família unida. As outras duas já nasceram quando seguíamos rumos diferentes. Como lamento tudo isso. Como lamento estes anos em que perdemos de conviver uns com os outros. Mas, passado não se muda. Não dá pra voltar atrás. Por mais que a gente lamente.

Fico aqui com a minha saudade. Com esta saudade danada que arrebenta o meu peito. A saudade de tudo de bom que passamos juntos e a saudade de tudo que perdemos uns dos outros.

Aos que se foram a minha saudade e a gratidão por ter podido conviver com eles. E para a minha eterna família do coração todo o meu carinho e amor.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

QUANDO OS SONHOS NOS INSPIRAM

Ao ler o texto de Frei Betto postado hoje no blog do Jornal O Porta-Voz, OS SONHOS DE KLEPLER, senti uma identificação enorme com o que ele escreveu sobre o ritmo de vida no século XXI.

Identificação em relação ao sentimento dele de que vivemos uma realidade cruel e controversa. Afinal, o homem desenvolveu tanto a tecnologia e, mesmo assim, continua sempre com pressa.

Sinceramente, sinto um certa “santa” inveja de pessoas que moram em cidades pequenas, que percorrem as ruas da cidade a pé, sem pressa, cumprimentando todos no caminho.

Às vezes me imagino assim: morando em uma pequena cidade do interior, mas não muito longe de uma cidade grande, onde pudesse fazer as compras necessárias para uma vida prática e tranqüila.

É claro que jamais abriria mão da internet, do computador e do celular, pois estar conectada com o mundo é, para mim, um dos privilégios de se viver na era da tecnologia.

Será que é sonhar alto demais viver com tranqüilidade sem abrir mão da informática e suas delícias? Creio que não.

Por que então não poder viver assim, numa cidade tranqüila, onde as pessoas se respeitem, não usem sons altos, não se xinguem no trânsito, não se estranhem nas filas?

Nesta minha, digamos, utopia, não haveria engarrafamentos. Porque só usaríamos carro para ir a outras cidades. Os percursos internos, seriam feitos a pé ou talvez de bicicleta.

Poderíamos deixar sempre as janelas abertas, porque ninguém invadiria a casa de ninguém. Minha casa teria um pequeno jardim, cheio de flores coloridas e um pequeno quintal, onde, embaixo de alguma mangueira (espada é claro) bem frondosa, estariam espreguiçadeiras nos esperando para lermos algum livro ou apenas conversarmos e curtimos a brisa fresca da tarde.

A TV a cabo e a internet nos ligariam ao restante do mundo e, as agruras de uma cidade grande seria para nós apenas notícias.

Como me identifico com os sonhos de Kepler, descritos por frei Betto em seu texto: “a vida campestre, a roda de amigos, o coro de anjos numa igreja e a melodia das estrelas”. Ao sonho dele acrescentaria o aconchego da família. Porque sem ele, nada vale a pena.

Poderia haver uma vida mais feliz? Uma simpática cidade, a família junto da gente, amigos daqueles companheiros de todas as horas, o coro dos anjos e a melodia das estrelas. Quem precisa mais do que isso para viver?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

LEI DE GÉRSON

Como se a esperteza já não fizesse da natureza humana, algumas empresas resolveram, através da publicidade, dar uma “mãozinha” em suas campanhas, incentivando o mau-caratismo.


Tudo começou há pelo menos três décadas, quando uma marca de cigarro que realmente não lembro o nome, criou a famosa “Lei de Gérson”, onde o ex-jogador tricampeão, portanto idolatrado pelo país, sentado em uma cadeira, fumava o tal cigarro porque gostava de levar vantagem em tudo. A partir daí, a nova lei ganhou a estrada e se espalhou feito praga pelo país. A partir de então, a “Lei de Gérson” passou ser sinônimo de se dar bem, de saber tirar proveito em cima dos outros, como furar filas, por exemplo. Quem não levava vantagem, passou a ser um otário, numa inversão de valores vergonhosa.

Não que tenha sido Gérson ou sua lei que tenham levado as pessoas a serem aproveitadoras. Mas a “institucionalização” da lei, tirou o aproveitador da condição de criticado para se tornar um praticamente um herói.

Esse comportamento duvidoso, mas aclamado, tem feito parte “honrosa” em nossa cultura. Tanto que coisas como o pagamento de propinas quando se é multado é tão natural quanto se enganar quem nos presta serviço, pagando um salário indecente. As pessoas se vangloriam de inventarem deficiências para estacionarem nas vagas especiais, de sonegarem impostos, de pagarem para alguém fazer seus trabalhos escolares, de nunca terem sido pegos filando em provas, de terem comprado algo muito abaixo do preço porque quem vendeu estava com a corda no pescoço... enfim, ser honesto passou a ser coisa de imbecil.

Há alguns anos, uma indústria de automóveis usou crianças fazendo prova para mostrar as vantagens de ser abertos. As indústrias concorrentes eram representadas por crianças que não davam fila aos colegas. E a deles, ao dar fila, estaria se abrindo ao mercado. Que belo exemplo não? Fiquei tão chocada quando assisti pela primeira vez ao comercial, que achei não ter entendido realmente a mensagem. Para minha desilusão, era exatamente o que não quis acreditar: uma apologia à lei do menor esforço. Pra que estudar, se você pode se dar bem filando? Mas uma vez, não lembro o nome do produto. Fico tão indignada que não armazeno essas informações.

E, no dia seguinte, assistindo ao noticiário, praticamente entrei em choque ao assistir a mais um comercial reverenciando a desonestidade: um cara recebe uma encomenda para o vizinho: uma TV de plasma. Ele resolve abrir para ver se está inteira e daí se apossa da televisão. É claro que passam todas as vantagens sociais que ele tem a partir da tal TV. Daí, toca a campanhia e o vizinho pergunta: você não recebeu uma encomenda pra mim há alguns dias?

Não pude acreditar no que vi! Como promover um produto incentivando a esse tipo de atitude? A TV é tão boa que justifica o fato de se apossar dela?

Então eu me pergunto: existe diferença entre um sem teto invadir uma casa vazia para se abrigar, um sem terra invadir uma área improdutiva para tentar sobreviver e um vizinho se apossar da TV do outro porque ela é “o bicho”? Existe, é claro! O sem teto e o sem terra é pobre, não tem nenhuma perspectiva na vida e se apossar de algo que não lhe pertence é uma tentativa desesperada de conseguir ter uma vida menos ruim.

Vivendo em um país que está em franco desenvolvimento econômico e tecnológico, com um governo que, entrando em seu nono ano, trabalha para promover a inclusão social, já está na hora de começarmos a pensar em promover também a educação doméstica, o respeito aos outros e, acima de tudo, extirpar, de uma vez por todas de nossa cultura, essa maldita lei de Gérson.

domingo, 30 de janeiro de 2011

UM NOVO BLOG NAS INFOVIAS

Curtindo meus últimos dias de férias (últimos por agora, espero), ando meio relapsa quanto ao acompanhamento do que acontece no mundo. Pra completar, fui pega por uma gripe muito da chata que me deixou ainda mais preguiçosa, nestes dias agradáveis de puro ócio.

Mas, aqui e ali, vão acontecendo coisas surpreendentes, como o nascimento de um novo blog:ivanildoholanda.blogspot.com, de meu querido amigo Ivanildo, que nos brinda, finalmente. com o prazer de poder ler, regularmente, seus textos. Pelo menos é isso que ele promete: que toda quinta-feira vai atualizar.

Além da surpresa do blog, outra surpresa, com o que ele escreveu no e-mail que enviou aos amigos, noticiando o nascimento do blog: "Nessas horas a gente pede opinião aos amigos e a quem divide a própria vida com a gente. Fui encorajado. Há muito tempo, Rejane Menezes, esposa do meu querido amigo Serjão, vivia tentando me convencer a publicar alguns contos que escrevi no passado. Rejane, portanto, tem responsabilidade na publicação do blog."

Ah meu amigo, que responsabilidade boa! Como fico feliz em saber que contribui para que você desenvolva este talento e divida conosco seus textos.

Tudo começou há alguns anos, quando minah amiga Fafá, indignada com o que havia passado em um supermercado, escreveu um texto e enviou para os amigos, por e-mail. Amei o texto e, naquele momento, tive a ideia de criar um espaço on line para publicação de textos das pessoas que, normalmente, não publicariam na mídia tradicional. Foi aí que surgiu o jornal on line O PORTA VOZ, no ar até hoje, também em formato de blog (www.jornaloporta-voz.blogspot.com).

E, chegamos a publicar quatro textos maravilhos, que estão no arquivo do Porta-Voz.

Depois, o silêncio. Nunca mais recebi um texto para o Porta-Voz. Cheguei a pensar, com muita tristeza, que havíamos perdido o nosso cronista. Que bom que me enganei.

Ivanildo está de volta, desta vez com seu próprio blog, contando a saga de sua primeira incursão ao mundo da produção de comerciais para a TV. Talvez nem tudo tenha acontecido daquela forma, como ele mesmo nos fala. Mas deve ter chegado bem perto. Vale a pena ler e se divertir com as agruras de um iniciante, sonhador e megalomaníaco, quando se trata de ideias. Afinal, criatividade é coisa que não lhe falta. Quer conferir? Clioque neste link
:
Flash Mob Globo Nordeste - completo
www.youtube.com

E assista ao vídeo completo do Flash Mobe que a sua agência, MERCADO COMUNICAÇÃO, fez para a mensagem de Final de Ano da Rede Globo Nordeste.

Bem-vindo ao mundo dos blogueiros meu amigo. Garanto que todos nós é que temos a ganhar, a cada quinta-feira, quando pudermos ser brindados com mais um texto seu.

sábado, 9 de outubro de 2010

EM DEFESA DA VIDA

A vida deve ser defendida em todas as suas instâncias, em toda a sua plenitude. Ser apenas contra o aborto não é suficiente para sermos defensores da vida em sua plenitude. É claro que o cristão deve defender a vida a partir de sua concepção. Isso é inquestionável. Mas, é preciso ir mais além. A preocupação, a defesa da vida, tem que continuar após o nascimento. Como será o futuro dessa criança? Ela vai ter alimentação? A mãe vai ter acompanhamento no pré-natal e durante o período de aleitamento? Esta criança vai poder frequentar uma escola? Vai ter um casa para morar? Vai ter direito a lazer? Vai ser feito com ela um trabalho de prevenção às drogas, ao trabalho infantil e à prostituição? Quando crescer, ela vai ter acesso ao mercado de trabalho? Sua família tem acesso a algum tipo de renda?
Nos oito anos de governo Lula as condições de vida da população brasileira melhoram a números vistos. Milhões de brasileiros saíram da miséria e outros tantos da pobreza. Na educação, na saúde, na moradia e empregos, é inegável a mudança para melhor nos últimos 08 anos. Se isso não é cuidar da vida em toda a sua plenitude, não sei mais o que seria.
A proposta da candidata Dilma é dar continuidade a esse projeto de melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. De todos os brasileiros. Não vamos desperdiçar um projeto deste baseados em um ponto. Ponto que, pelo que pode ser observado, já está sendo revisto.
Em tempo, gostaria de esclarecer uma coisa: O PT não é a favor da legalização do aborto conforme alardeiam alguns desavisados, inclusive do próprio Partido. O que foi aprovado no 3º congresso foi uma resolução que é a favor da descriminalização da mulher que fizer o aborto.
Texto da resolução: ´´defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público evitando assim a gravidez não desejada e a morte de centenas de mulheres, na sua maioria pobres e negras, em decorrência do aborto clandestinos e da falta de responsabilidade dos Estados no atendimento adequado às mulheres que assim optarem.``
Em nenhum momento está dito que o PT quer a legalização do aborto. A proposta desta resolução é para que as mulheres que fizerem aborto não sejam punidas pela lei e que sejam atendidas. Não temos o direito de julgar nenhuma mulher que tome uma atitude terrível desta. E, em boa parte dos casos, as consequencias são tão graves para elas, sejam físicas, sejam psicológicas, que muitas jamais conseguem se recuperar.
Legalizar o aborto seria permitir que essa prática fosse feita abertamente, em qualquer clínica, em qualquer consultório médico, sem nenhum problema. Como acontece em alguns países da Europa, por exemplo. Descriminalizar a mulher que praticar o aborto é uma forma mais humana de tratar uma pessoa que praticou um ato terrível contra si própria. O que fazer então? Colocar esta mulher na cadeia? Deixar que ela morra de hemorragia ou de outras consequencias? Podemos condenar o ato do aborto, mas não temos o direito de condenar a mulher que o pratica. Não como cristãos.
O que Jesus faria em uma ocasião como esta?Baseada nas atitudes Dele através dos Evangelhos, eu, pelo menos, não tenho a menor dúvida de como agiria Jesus: Trataria das feridas, daria conforto espiritual e, a partir de seu acolhimento, com certeza, teria mais uma discípula, uma cristã, disposta a nunca mais cometer este pecado.
O que está em jogo não são simplesmente dois candidatos. São dois projetos de governo completamente opostos: Um que passou oito anos no governo e não fez nada para melhorar a qualidade de vida da população e o outro que está há oito anos no governo e teve, o mesmo tempo do outro, para provar de que lado está: ao lado do povo brasileiro.
Portanto, cada vez que pensarmos em condenar Dilma, temos que levar em conta que estamos condenando a nós próprios a um retrocesso político e social.
Comecei minha luta pelas mudanças em nosso país, aos 14 anos de idade, em plena ditadura militar, dentro da Igreja. Foi na Igreja que aprendi a lutar pela liberdade e pela valorização da vida. Foi na Igreja, que aprendi a defender os fracos e oprimidos, a batalhar pela inclusão social, pelo direito que todos têm "à vida e vida em abundância".
Os cristãos têm ajudado a escrever a história da humanidade, há mais de dois mil anos, entre erros e acertos. Não podemos permitir que mais um erro seja cometido, condenando à fogueira da opinião pública, exatamente a pessoa que pode dar continuidade ao caminho que leva a melhoria de vida para os brasileiros.
Está em nossas mãos o tipo de país que queremos deixar para os nossos filhos, para os nossos netos, para os que virão depois de nós.
As tintas com que será pintado o quadro do futuro do Brasil seremos nós que vamos escolher.
Que quadro queremos pendurar nas paredes da história do país? Uma paisagem alegre e colorida que caiba 190 milhões de brasileiros ou pegamos de volta nos porões da história um empoeirado quadro escuro e sombrio?