Cansadas de viverem sozinhas, de vez em quando as letras resolvem se misturar na cabeça de algumas pessoas e, juntas, formam palavras, que formam textos que, dependendo do momento e da imaginação de cada um, tornam-se contos, ensaios, críticas ou até mesmo incríveis historinhas infantis.
Daí, surgem misturas fantásticas para saciar a nossa fome de beleza e nos levar a um mundo encantado que só a nossa imaginação, unida à imaginação de quem escreve pode desvendar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

PORTARIA DOS CORREIOS 567/2011 FOI FEITA PARA QUE PAÍS MESMO?





Depois de morar há décadas no mesmo endereço e de toda a família ser compradora regular via internet e de, ao longo dos anos, ter recebido as compras sem nenhum problema, inclusive nos últimos dois meses, eis que me deparo com um fato inusitado: o carteiro veio por duas vezes fazer uma entrega e, por não encontrar o porteiro, não efetuou a entrega com a notificação de : Entrega não efetuada – carteiro não atendido.

O interessante dessa história é que eu estava em casa, junto ao interfone, aguardando que quem fosse trazer a encomenda fizesse como sempre aconteceu nas dezenas de entregas anteriores: apertar os botões do interfone, de maneira prática, rápida e fácil e eu ou alguém aqui de casa descer e pegar a encomenda. Aliás, só para ilustrar, na quarta-feira, quando o carteiro não foi atendido pela primeira vez, uma hora antes eu desci para pegar uma outra encomenda, justamente atendendo ao interfone.

Vendo a observação no site tentei entrar em contato com os correios e, para minha surpresa, fui informada de que o Centro de Entrega de Jaboatão não tem telefone e nem atende ao público. Como assim não atende ao público se é um centro de distribuição das coisas que o público comprou?

Em um outro telefone uma funcionária me informou que isso provavelmente aconteceu porque o carteiro não encontrou o porteiro. Claro que ele não podia encontrar um porteiro que meu prédio não tem. E o funcionário estava em hora de almoço. Mas do lado de fora, junto ao protão de entrada tem aquela caixinha mágica que falei lá em cima conhecida como interfone ou intercomunicador, com preferirem e que funciona perfeitamente.

A funcionária me falou de uma Portaria que regulamente entregas de encomendas e que, de acordo com ela, o carteiro não tem obrigação de interfonar para o destinatário. Oi? Como assim cara pálida?

O pessoal de casa ficou dizendo que a funcionária só podia ter feito piada comigo, que isso não era possível. Mas pasme, é possível.

Na sexta-feira vi no histórico que a encomenda havia saído de novo para entrega às 09h25 da manhã. Novamente fiz plantão junto ao interfone e, inocentemente, achei que o carteiro não viria no mesmo horário que da outra vez, entre 12h e 14h, já que ele sabia que não encontraria nenhum funcionário. E pensei que, caso ele viesse mesmo nesse horário, teria o bom sendo de interfonar. Porque jamais passou pela minha cabeça que interfonar não fosse uma opção.

Sempre de olho no site, de repente aparece novamente a anotação de entrega não efetuada – carteiro não atendido. Desci imediatamente, mas ele já havia ido embora. Só que, dessa vez, ele falou com o pessoal que está trabalhando aqui no prédio e que estava almoçando. Perguntou pelo porteiro (que não temos) e o pessoal respondeu que era de almoço. Ele falou que iria fazer outras entregas e que voltaria depois do horário de almoço. E, mais uma vez, não se deu ao ínfimo trabalho de interfonar para a parte interessada, a destinatária, que estava atenta, não estava em horário de almoço, aguardando para ser chamada para pegar sua encomenda.

Tentei fazer uma reclamação formal no site dos correios, mas não consegui porque preciso do endereço e outras informações do remetente, que não tenho. Como você saber o endereço físico de uma compra pela internet?

Daí eu fui atrás das mídias sociais para fazer algum contato. Consegui através do Facebook. E sabe o que me responderam? Colocando a tal da portaria que justifica o fato do carteiro não interfonar.

Sobre o questionamento apresentado na linha do tempo sobre as entregas, segue informações:

“ Conforme a Portaria 567/2011, artigo 5º, a entrega postal de encomendas pelos Correios em condomínio residencial e comercial, edifícios com mais de um pavimento, centro comercial e outros considerados locais coletivos e com restrição de acesso de pessoas, deve ser feita em caixa receptora única de correspondências ou ao porteiro, administrador, zelador ou pessoa designada pelo prédio para receber. Se esses locais não contarem com essa estrutura, havendo solicitação dos moradores, a ECT pode efetuar a entrega em caixas receptoras individuais, instaladas na entrada do prédio e desde que haja acesso ao carteiro. Se a dúvida persistir, orientamos você a registrar uma manifestação em nossos canais oficiais de relacionamento com o cliente. Você deve entrar em contato pelo nosso site http://www2.correios.com.br/sistemas/falecomoscorreios”.

Não preciso dizer que fiquei de queixo caído imaginando quem teria sido o redator dessa portaria. Com certeza alguém que mora em um país de primeiro mundo, onde todos os prédios têm caixas receptoras e, ainda por cima, de tamanho que caibam encomendas e não apenas correspondência. Quanto a Porteiro já não teria muito a ver com primeiro mundo porque nesses países só os prédios de altíssimo luxo têm porteiros.

Aqui no Brasil até que ter porteiro é mais comum. Mas os prédios de classe média para baixo não têm.  Gente uma boa parte dos prédios não tem nem porteiro e nem interfone. E muito menos caixas receptoras. 

Essa portaria é de uma alienação que incomoda. Mesmo que essas exigências sejam relativamente atendidas nas regiões Sul e Sudeste do País é sempre bom lembrar que existem ainda o Nordeste, o Norte e o Centro-oeste onde, talvez na capital até existam prédios dentro dos padrões dos correios. Mas só na capital mesmo.

Uma outra norma, regra o que seja, diz que se forem feitas três tentativas e a mercadoria não for entregue, ela será devolvida ao remetente. Como assim? O tal do destinatário fica sem mais nenhuma chance de receber sua encomenda? Mesmo não tendo culpa de não ter recebido, ao menos não deveriam deixar a mercadoria no tal dentro de encomendas e avisar para pegar?

Uma Portaria como essa deveria ter sido escrita para países onde o serviço público realmente funciona e onde a realidade financeira permite prédios que se enquadrem nessas exigências peculiares.

Um dos problemas do Brasil, entre os milhares que existem, é que uma boa parte dos funcionários públicos não tem compromisso com o seu trabalho e ainda acha que está fazendo favor ao usuário.

Tenho uma coisa para falar a vocês senhores funcionários públicos que pensam assim: vocês são pagos para atender os usuários com atenção e eficiência. Não é favor. É obrigação. Nós pagamos pelos serviços, seja  indiretamente através de impostos, seja diretamente, como é o caso dos Correios, através do pagamento do frete que, inclusive em alguns casos, é mais caro que o valor do que está sendo comprado ou enviado.

No caso de entrega de encomendas não faz sentido a regra ser deixar em caixas receptoras ou falar com o porteiro ou zelador do prédio e não listar o destinatário como principal pessoa a ser contatada.

Então meus amigos e minhas amigas que tiveram a paciência de chegar ate aqui, fica a lição: Se você morar em um prédio que não tenha caixa receptora ou, pelo menos, um porteiro ou zelador que esteja sempre a postos para receber as encomendas, então não compre nada pela internet. Você poderá ser punido por não morar em um prédio chique e perder a sua compra.

Finalmente hoje, segunda, 18 de fevereiro, a novela terminou. Novamente no horário em que sabe que é de almoço do funcionário do prédio, o carteiro veio mesmo assim, mas, dessa vez teve o bom senso de interfonar para o meu apartamento. Meu marido foi pegar a encomenda e perguntou por que ele não interfonou das outras vezes. E sabem o que o carteiro respondeu?  " Eu não tenho obrigação de ligar pelo interfone. Você deviam colocar um porteiro". Espero que ele tenha o privilégio de morar em um prédio onde tenha um porteiro. Porque nem todos têm essa condição. Inclusive eu.

De posse da nota fiscal e de todos os dados do remetente fui fazer uma reclamação no site dos Correios. Preenchi todas as informações solicitadas e quando cheguei no final, não pude enviar a reclamação porque o que eu queria reclamar não está listado nas opções e não tem a opção "outros" . Pois é falar com os Correios é realmente uma coisa muito difícil.  Mas vou continuar tentando fazer a minha reclamação, mesmo com toda essa blindagem que dificulta o acesso.

 Em  um país onde a classe média cresce a cada dia nos últimos dois anos, não por ascensão dos mais pobres, mas, ao contrário, pela perda de renda dos que estavam acima dela, se essa portaria ridícula não for revogada e substituída pro uma nova que seja redigida dentro da realidade brasileira ou agente arranja grana para morar em prédio que se enquadre nas regras ou pega emprestado o endereço de amigos ou parentes pra enviar o que comprarmos pela internet ou fazemos plantão na porta do prédio enquanto esperamos chegar o que pedimos ou, a solução mais prática, desistimos de comprar pela internet.  

Do jeito que as coisas estão andando nesse país, nós, da classe média para baixo, seremos mesmo, aos poucos, banidos dessas conveniências. Afinal vivemos no Brasil – o país de poucos.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

ADEUS AMIGO QUEVEDO. VÁ EM PAZ!



Conheci Pe. Quevedo no começo dos anos 1970, quando o nosso grupo de jovens do colégio Salesiano promoveu, por três anos seguidos, seu Curso de Parapscologia. O curso durava cinco dias e era realizado no auditório do Colégio Damas.

O Encontro de Jovens organizava tudo, da divulgação à infraestrutura. E durante os cinco dias do curso ainda mantínhamos uma barraca de lanche, que nós mesmos preparávamos. Com a ajuda da família, claro. Com a renda dos lanches compramos instrumentos para nossas serenatas como violão, atabaque, pandeiro, chocalho, maracá e outros que não lembro e até um padrão para o time de futebol do grupo.

A renda do curso eu lembro que uma vez foi para o Hospital do Câncer e outra vez para fundarmos a pastoral dos adultos no colégio Salesiano. Imaginem só que interessante: éramos nós, os jovens, que queríamos evangelizar os nossos pais.

Todas essas coisas nós fazíamos com o total apoio do colégio Salesiano, sobretudo do Pe. Antônio, que era o padre inspetor e Pe. Luís Santiago, escolhido por nós para ser o orientador espiritual dos adultos.

Foi um excelente aprendizado para todos nós, jovens entre dezessete e vinte e poucos anos, administrando a promoção de um curso com uma personalidade do porte de Quevedo. Além de aprendermos sobre parapsicologia, aprendíamos a produzir cartazes de divulgação, tirar licença na prefeitura para colocá-los nos estabelecimentos comerciais, conseguir a permissão dos donos das lojas, confeccionar diplomas, controlar a frequência para entrega do certificado, fazer livro caixa, controlar receita, entradas e despesas, enfim, eram tantas atribuições... e agente dava conta de tudo.

Mesmo depois de não termos mais o grupo jovem e deixarmos de promover o curso de parapsicologia, continuamos, eu e o Pe. Quevedo, a manter contato através de carta. Ah se naquele tempo já houvesse internet.

Eu e Sérgio nos conhecemos em uma reunião de preparação de um dos cursos. Devemos essa a Quevedo.

Enviamos convite de casamento mas ele não pôde vir. Pe. Santiago, que nos casou, trouxe uma carta dele para nós, justificando a ausência e desejando felicidades.

Depois que Pe. Santiago partiu, perdemos o contato com Pe. Quevedo. O tempo foi passando e, de repente, já havia se passado tantos anos sem contato, que não sabíamos mais como retomar.

Hoje minha filha me dá a notícia de que ele faleceu. Depois Sérgio me envia a notícia pelo telegram. E me dou conta de que passou tempo demais e a gente não voltou nunca mais a se falar. Poderia ter tentado entrar em contato pela internet, poderia ter procurado o contato dele através de padres amigos. Mas não o fizemos. E agora já não mais possível.

Só me resta então prestar a minha homenagem a esse homem que teve tanta importância em nossas vidas, que de forma direta e até indireta, foi o responsável por tantas coisas boas na minha vida.

Obrigada Quevedo por ter confiado naqueles jovens inexperientes e ter vindo dar os seus cursos, nos apoiando e nos fortalecendo.

Obrigada por toda a experiência que tivemos, aprendendo a trabalhar em grupo, cooperando e apoiando uns aos outros.
Obrigada por minha família, que começou na preparação de um de seus cursos.

E de onde estiver aceite as minhas desculpas por não entrar mais em contato, por deixado o tempo passar e a lida da vida nos ter afastado.

Siga em paz com a certeza do bem enorme que você proporcionou àquele grupo de jovens, que hoje, com certeza, estará pensando em você, ouvindo sua voz com aquele inconfundível sotaque espanhol e imaginando que mistérios você vai começar a desvendar a partir de agora.


domingo, 28 de outubro de 2018

HOJE É DIA DE FAZER HISTÓRIA



Como já falei inúmeras vezes, votar para mim é, antes de tudo, um direito. O direito de escolher quem que quero que me represente no Parlamento e quem governo no Executivo.

Votar é a uma forma de dizer quem sou, a que vim, em que acredito e o que espero para o futuro.

Mas não digo que o voto é meu, porque acho que voto é um coletivo, que transforma não apenas a minha, mas a vida de todos e todas. Por isso ele tem que ser consciente, maduro, altruísta. Voto tem que ser pelo bem comum, pelo melhor para a comunidade, para a população, para o país.

Votar pra mim tem um ritual onde a roupa que vou usar é escolhida com cuidado, de acordo com o momento da votação.  Mas tem que ter vermelho. Vermelho é a minha cor preferida praticamente desde que nasci. Desde criança a família inteira e os amigos sabiam que tudo meu tinha que ser vermelho. Vermelho pra mim é a cor da vida.

Cresci e , coincidentemente, vermelho é a cor de meu partido. Então votar, tem que ser de vermelho.

A eleição de hoje é, mais do que qualquer outra, histórica. Assim como a de 2002 o foi.  Hoje estará definido o futuro de todo o um povo, um povo que luta, que ama, que sofre e tudo que precisa e merece, é ser feliz.

Camiseta vermelha pra mim não é problema. Tenho várias. Lisas, estrelas, com palavras, rostos, enfim, para todas as ocasiões. Mas hoje escolhi uma diferente, porque hoje a eleição é muito simbólica.

Escolhi uma camiseta vermelha, com a silhueta dos meninos de Liverpool, da capa do disco HELP. Isso mesmo, help, socorro, que é o que o Brasil pede hoje a todos os seus filhos e filhas. E por que exatamente Beatles? Porque representam a revolução na música, nos costumes, na vida. Porque eles cantaram que o que o mundo precisa de amor. E o Brasil precisa mesmo é de amor, muito amor.

E que livro levar? Também são tantos e tão bons que a dúvida foi grande. Livro de Frei Betto, Leonardo Boff, Zuenir Ventura, Chico Buarque, Paulo Freire, Marcelo Barros, são tantos e tão libertadores que terminei por optar pelo mestre, se não de todos, da maioria desses. Fui votar acompanhada de Dom Helder, de suas crônicas para o seu programa Um Olhar Sobre a Cidade, que além de compilar textos fantásticos do Dom ainda se chama “Meus Queridos Amigos”.
Voltei pra casa com muita esperança no coração. Não que tenha encontrado ninguém de vermelho em meu caminho. Voto em um reduto da direita. Mas porque lembrar das músicas dos Beatles que animaram a minha adolescência e das palavras de Dom Helder, que ainda ecoam atuais e certeiras “A consciência ingênua acredita que uns nasceram para dominar e outros para serem dominados. A consciência crítica acredita na fundamental igualdade dos homens e na urgência de acabar com a relação oprimidos-opressores. 
A consciência ingênua acha que o essencial é vencer na vida. Tudo o mais deve ser posto a serviço deste fim. A consciência crítica acha que o problema principal é dar aos homens a possibilidade de ser gente de verdade”. Dom Helder Camara

Agora é aguardar o resultado final e torcer para que a consciência crítica se sobreponha à consciência ingênua.

Que amanhã seja um lindo dia, da mais nova alegria que se possa imaginar. E vamos juntos cantar pro Dia Nascer Feliz.



quarta-feira, 17 de outubro de 2018

2018 - O ANO QUE TAMBÉM NUNCA VAI TERMINAR?

O jornalista e escritor Zuenir Ventura escreveu e publicou, originalmente, em 1989 o livro "1968 - o Ano que Nunca Terminou.


O livro, muito bem escrito, com inigualável estilo jornalístico de Zuenir, do qual, confesso, sou grande fã, fala sobre os fatos que aconteceram naquele ano e que marcaram, para sempre, não apenas o Brasil, mas o mundo. Estudou o ano de 1968, para não apenas relatar fatos, mas também suas consequências para o tempo futuro. Em tom de narrativa Zuenir vai colocando os acontecimentos do referido ano, citando personagens importantes, obras e músicas que surgiram nesse período.

Por incrível que pareça ele cita, por exemplo, a atriz Claudia Cardinale, italiana e esquerdista reconhecida, assim como outras figuras igualmente emblemáticas, como César Benjamin "Cesinha", militante do Mr-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro) e que participou da luta armada e Carlos Lamarca "O capitão da guerrilha", militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e do Mr-8 e que ficou nacionalmente conhecido após desertar de seu quartel em Quitaúna e juntar-se à guerrilha. 

Claro que ele não podia deixar de fazer referência aos artistas que participaram do combate ao regime militar e que se tornaram nacionalmente famosos como Chico Buarque, Caetano Veloso e Geraldo Vandré ou ainda os ídolos internacionais como The Beatles e Rolling Stones.

O livro também traz de volta um período conturbado da história do Brasil, quando, mesmo com as proibições e repressão, se ergueram bandeiras em defesa da liberdade e da democracia. Como, por exemplo, o movimento estudantil que, espalhado pelo mundo, se tornou lendário por conta das manifestações contra o sistema, mostrando a determinação e a coragem dos jovens que iam às ruas, até mesmo para morrer se fosse preciso, para protestar contra o poder estabelecido, fosse de esquerda, fosse de direita. 

Passeata dos Cem Mil - Rio de Janeiro - 26 de junho de 1968

No Brasil os jovens protestavam contra as forças da ditadura que mataram Edson Luis, em março de 1968,  um estudante do segundo grau.

Na Checoslováquia os jovens gritavam contra os tanques soviéticos que esmagaram, em agosto, a Primavera Democrática. 

O ano que nunca terminou teve seu ápice, negativo, diga-se de passagem, em 13 de dezembro, com a promulgação do Ato Institucional nº 5, o AI5, durante o governo do general Costa e Silva. O AI5 foi a expressão mais fiel da  ditadura militar brasileira: injusto e arbitrário iniciou o período mais sangrento da ditadura, com prisões, tortura, desaparecimentos e mortes a perder de vista. Vigorou até dezembro de 1978 e suas ações arbitrárias têm efeito até os dias de hoje. 

O lançamento do livro, em 1989, coincidiu com dois fatos históricos: a queda do muro de Berlim e a primeira eleição presidencial no Brasil desde a instalação da ditadura, ambas em novembro.

Seis décadas depois do famigerado AI5, depois de quase quatro décadas da abstinência em votar para presidente, de quase três décadas depois do lançamento do livro, da primeira e desastrosa eleição direta  e do anúncio do fim do comunismo, quando finalmente achávamos que 1968 teria terminado, seus fantasmas  resolvem nos assombrar,  ressuscitando os  pavores antigos que julgávamos mortos e esquecidos.

Velhos e infundados medos do comunismo se instaurar no Brasil estão povoando o imaginário das pessoas desinformadas, que ainda não se deram conta que não existe mais essa ameaça, que ela acabou faz tanto tempo que virou mesmo foi "vintage" supostamente xingar as pessoas de esquerda de comunista. Digo supostamente porque comunista não é xingamento. Achar que xinga alguém chamando de comunista é tão ingênuo e sem sentido quanto achar que o PT inventou a corrupção.

Patrulhamento ideológico, perseguição a quem pensa diferente, intolerância religiosa, homofobia, misoginia, racismo, preconceito de classe e um medo infundado do comunismo, são alguns desses espectros do mal que estão pairando sob nós e se infiltrando em muitas cabeças, algumas das quais jamais imaginaríamos que se deixariam levar por toda essa infecção de ódio que vem se espalhando como um vírus oportunista, que enfraquece o corpo e também a mente.

Um momento era 2018 e, no final do dia, era 1968 outra vez. Estamos andando para trás, em meio a uma corrente de água turbulenta, escura e traiçoeira, que quer nos dragar com seus braços molhados e perniciosos.

Nessa enxurrada de informações falsas, mentiras tão absurdas que me causa espécie imaginar que tem quem acredite nelas e toda essa onde violência e intolerância, voltou também o fantasma do medo. Não esse medo ridículo de que Lula vai transformar o Brasil em uma Venezuela ou ditadura comunista. Até porque nem o direito de se candidatar ele teve. E, ao contrário do que muitos gostariam que fosse, Haddad não é um poste que reflete luz. Ele tem luz própria e vai brilhar na presidência do Brasil.

Voltou o medo de perder a liberdade, da democracia ser aprisionada em um calabouço ainda mais profundo que em 1964. O medo de ver o Brasil virar novamente uma ditadura, onde nem pensar seja permitido. Medo de não poder falar abertamente sobre política, por exemplo. Medo do saldo negativo que essas eleições irão deixar em nossas vidas. Qualquer que seja o resultado, já há tanto estrago, que mesmo que a democracia prevaleça, o terror que vem se espalhando no Brasil entre LGBTs, negros, índios, pobres, portadores de deficiência e mulheres que têm consciência de sua posição no mundo, já vai ter deixado um rastro de dor, sangue e morte, que não dá para ser esquecido.

Odiar o PT ou odiar ainda mais Lula não é motivo para ajudar a matar a democracia.  Não é motivo para por em perigo a vida dos LGBTs e de outras minorias. O ódio nunca foi e nunca será motivo para fazer nada de bom. O ódio que o nazismo provocou nas pessoas resultou no assassinato de seis milhões de judeus, negros, homossexuais. 

Campo de Concentração nazista
Pelas barbaridades que temos visto ainda antes do resultado da eleição, o saldo de assassinatos no Brasil será bem maior, quando a população se armar, achando que assim, estará protegido contra a violência.

Uma coisa temos que ter bem clara em nossa cabeça: sem justiça social não há paz. Enquanto o fosso salarial for das dimensões que é hoje, enquanto houver racismo, preconceito e discriminação de cor, de classe e de gênero, enquanto não houver uma vida digna para todos e todas, a violência continuará a crescer, fomentada pela desigualdade e pelas armas que a população vai comprar e que irá cair nas mãos do crime organizado.

Nunca o destino de toda uma nação esteve tão perigosamente nas mãos dessa própria nação. Cabe a cada um escolher seu candidato e, consequentemente, o seu futuro e o futuro do país. Depende só de cada um de nós se, depois do dia 28, continuaremos ou não a ter um futuro.

Depende de cada um de nós se, no dia 31 de dezembro, finalmente, 1968 acabará e, com ele levará 2018 ou dois se juntarão e continuarão a nos assombrar até que surja, em meio as trevas, uma nova esperança.

Como Freeda Kahlo" não quero que ninguém pense como eu. Quero que apenas pense". 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

VOTAR: MAIS QUE UMA OBRIGAÇÃO, UM DIREITO E UMA CHANCE DE MUDANÇA


Sim, muito mais do que uma obrigação, votar é um direito. O direito de escolher seus representantes e de esperar que eles façam o melhor pelo povo do país.

No próximo domingo estaremos elegendo a pessoa que irá ocupar o cargo mais importante do País: presidente da república. Um cargo, na verdade, que não é importante apenas para o próprio Brasil, mas para o continente latino-americano e até mesmo para o restante do mundo.

Infelizmente, no Brasil, o voto é um direito corrompido, trocado por saco de cimento, dentadura, emprego e até mesmo dinheiro em espécie. Tudo isso porque é visto, por alguns, como um instrumento de troca de favores em benefício próprio e não como uma forma de mudar as coisas para que a pessoa nunca mais precise trocar seu voto por um colchão.

Uns votam porque um parente é candidato ou um parente de um amigo. Outros votam porque o patrão obriga. Outros porque acreditam nas promessas que nunca serão cumpridas.

Nessa eleição de 2018 outros motivos ainda menos consistentes foram acrescentados aos já existentes: o voto contra o PT e as esquerdas.

A mídia e algumas classes profissionais desencadearam um ódio ao PT que as pessoas sentem com ardor, mas não conseguem explicar.
Quando perguntamos “por que você odeia Lula e o PT?” a resposta era sempre: “Lula é ladrão, o PT é ladrão, são corruptos, quebraram o Brasil....” E daí a gente pergunta: “mas a maioria do Congresso Nacional é formada por parlamentares que ou estão sendo indiciados ou acusados de crimes de corrupção e, mesmo assim vão se candidatar e se reeleger”. Então um novo “argumento”  voltou à cena, que Lula vai tornar o Brasil comunista e transformar em uma Venezuela”.

Lembro que em 1989 usavam esse argumento de que Lula iria trazer o comunismo par ao Brasil. Um amigo, que votou em Collor, me disse perto das eleições: temos que ter cuidado. Se Lula for eleito ele vai tomar os bens da gente. Quem tiver duas casas, ele toma uma, quem tiver dois carros ele toma dois. Quem for contra ele vai ser preso...” E eu rindo, respondi: ah, se for acontecer isso eu não preciso me preocupar. Nem tenho dois carros nem duas casas. E como vou votar nela, não vou ser presa”.  E saí rindo do argumento tão infantil que não me deu vontade de rebater.

Treze anos depois, em 2002, Lula foi eleito presidente e, vejam só, não trouxe o comunismo para o Brasil. Foi o presidente com o maior índice de aprovação da história do país. Os ricos ficaram mais ricos e vejam só que inusitado: os pobres não ficaram mais pobres. Ao contrário, quase quarenta milhões de brasileiros saíram da linha de pobreza, o Brasil saiu do mapa da fome, aumentou em todo o país o número de instituições de ensino técnico e superior, os menos favorecidos tiveram acesso às faculdades privadas através do Fies e Prouni, aumentou o número de empregos formais, foi criado o MEI para que os trabalhadores informais ficassem na legalidade, aumentando a arrecadação de impostos e permitindo que esses profissionais possam garantir a sua aposentadoria.

Durante os governos do PT aumentou o acesso aos bens de consumo e pessoas que antes nunca haviam nem sonhado com essa possibilidade puderam comprar computador, moto, carro, viajar de avião e frequentar os magníficos templos de consumo, os shoppings centers.

Uma outra camada, mais carente, teve acesso a um bem ainda mais precioso: alimentação três vezes ao dia.

O PT não criou apenas melhorias para a população do País, aproveitou as boas coisas já existentes e implementou. Como no caso da área de saúde, contemplada com a ampliação do SAMU,   criado em Campinas em junho de 1995, pelo médico José Roberto Hansen  e das UPAS, cuja primeira unidade foi  inaugurada em 2002 no bairro Alto de São Manoel, situado no município potiguar de Mossoró.

O Mercosul se tornou mais forte e foi criado o BRICS, em 2006, composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, para dar voz a esses países no meio econômico.

As domésticas tiveram aprovada a PEC que lhes assegurou o direito ao FGTs  e a um horário de trabalho de 44 horas semanais.

Lula deixou o governo do Brasil em 31 de dezembro de 2010 com 85% de aprovação.

Foram tantos os benefícios para a população, foi tanto o dinheiro que as instituições financeiras e empresas ganharam que fica realmente difícil entender o que está acontecendo. |E a pergunta que não quer calar é: o que aconteceu para que as pessoas mudassem de ideia e hoje demonizem Lula e o PT?

Não sou analista política ou econômica. Por isso não vou entrar no cerne da questão. Vou falar o que acho que aconteceu: uma pequena parte da população, rica e poderosa, não ficou satisfeita em estar afastada do centro do poder político, de não ter aprovadas no Congresso e pela presidência da República, todas as suas reivindicações, como, por exemplo, aumentos de salário absurdos ou de não ter suas dívidas com o governo perdoadas, achou que era hora de tomar o poder de volta, fosse a que custo fosse.

E, a partir daí, teve o impeachment ilegal de uma presidenta eleita pela maioria da população , a prisão do maior líder político do País sem nenhuma prova, apenas pela convicção de que ele não poderia se candidatar de novo porque venceria do primeiro turno e a demonização do PT, o único partido de esquerda que conseguiu chegar à presidência da República e que realmente governo para o povo e não para a elite econômica.

Então a minha conclusão é a seguinte: O maior crime do PT foi ter governado para brancos, negros, índios e pardos, héteros e homossexuais, mulheres e homens, ricos e pobres. Lula não esperou o bolo crescer para depois fatiar, porque isso sempre foi história para boi dormir. Os governos do PT fatiaram o bolo enquanto ele crescia. E fatiaram com todos e todas.

O que aconteceu com a memória dessas pessoas que faziam parte dos 85% que aprovavam Lula ao fim de seu segundo mandato?

O que levou as pessoas a odiarem tanto Lula e o PT a ponto de votarem em um candidato que representa todo o atraso possível para o País?  Por que minha gente vocês querem que o Brasil ande de ré?

Lembrem-se para vive em paz, é preciso que, primeiro, a justiça social aconteça. Quanto mais aumentarem as perdas de direito, as perseguições e o estímulo ao uso de armas e tortura, maior será a violência no país.

O Brasil corre o risco de se transformar em um caldeirão efervescente de ódio, crueldade e violência. Quando isso acontecer, os ricos contratarão mais guarda-costas e blindarão ainda mais seus carros.

E quem não tem dinheiro para reforçar a segurança vai ficar a mercê dessa violência crescente, sujeito a levar uma bala perdida por aí e ser mais um número nos dados dos efeitos colaterais inevitáveis dos tempos sombrios que estão por vir.

Ou você pode impedir que isso aconteça. Por isso não vote por ódio, vote por amor à sua família, aos seus amigos e a você. Domingo vote sem ódio e sem medo de ser feliz


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

DIGA SIM À VIDA!



"A defesa do nascituro inocente, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque é ali que está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada, e exige o amor de cada pessoa além de seu desenvolvimento. Mas igualmente sagrada é a vida dos pobres que já nasceram, que estão lutando na pobreza, no abandono, no adiamento, no tráfico de pessoas, na eutanásia encoberta nos doestes e idosos privados de atenção, as novas formas de escravidão, e em toda forma de exclusão". Papa Francisco - Gaudete et Exsultate.

Está no ar uma discussão muito séria e acalorada: a descriminalização ou não do aborto. Uma questão que é de saúde pública virou uma bandeira religiosa, uma verdadeira obsessão,  transformada em uma defesa fundamentalista, sem espaço para uma compreensão maior do contexto onde a maioria dos abortos são realizados e o grande número de óbitos por parte das mulheres que se submetem à interrupção da gravidez.

Recentemente ao colocar minha opinião em um chat, uma resposta me fez pensar no quanto as pessoas estão longe de entender as causas e consequências do aborto.

As Igrejas cristãs se arvoram de defensoras da vida, se unem contra a descriminalização do aborto, alegando estar defendendo a vida. Só que essas parcela das Igrejas vão às ruas com bandeiras, faixas e camisas sob a alegação de dizer sim à vida. Mas o meu questionamento sempre foi: ser contra descriminalização o aborto é a mesma coisa que defender a vida?


Eu não sou a favor de aborto. Nunca fiz e nem faria. Mas o que está sendo discutido hoje não tem nada a ver com fazer ou não fazer aborto. Tem a ver com penalizar ou não as mulheres que interrompem a gravidez, condenando-as sem procurar ouvir suas histórias, sem entender o seu contexto.

Quando a Igreja Católica leva multidões às ruas para dizer Sim à Vida, não deveria dizer sim á vida em toda a sua plenitude e não apenas à vida dos fetos?
Quando fazem protestos contra a legalização do aborto, não deveriam também fazer protestos contra à miséria, à pobreza, à fome, à educação precária e à falta de um lar?

Já imaginaram  que se a Igreja não proibisse os contraceptivos não haveria tantos abortos e tantas mulheres morrendo em consequência das condições precárias às quais recorrem para interromper uma gravidez que não têm nenhuma condição de continuar?

E se as pastorais que chegam até as comunidades conversassem com as mulheres sobre o uso de contraceptivos? Quem sabe até distribuíssem ou encaminhassem para os postos de saúde?

Crianças geradas em meio à miséria e à pobreza, já estão condenadas desde os primeiros minutos da concepção a não ter nenhum futuro. Podem até escapar do aborto, mas não sobreviverão à fome, à violência doméstica e das ruas ou às drogas.
Se a Igreja Católica quer realmente dizer sim à vida, primeiro acabe com a proibição dos contraceptivos, uma proibição tão sem sentido quanto querer que mulheres pobres, muitas vezes estupradas pelos próprios companheiros, evitem gravidez usando a tal da tabela. 

Conseguimos penar em algo do tipo a mulher está em seu casebre, chega o companheiro bêbado, querendo transar e daí ela olha na tabela e diz que não pode porque é dia fértil? Isso é surreal e insano. Entretanto se essa mulher tomasse pílula anticoncepcional, por exemplo, ela não engravidaria e não precisaria recorrer a um aborto clandestino porque não tem mais como ter mais um filho e vê-lo morrer de fome.

Vamos dizer Sim à Vida, exigindo o fim da exclusão e da injustiça social. Isso é que devia ser ilegal e punido. A fome é que é ilegal. Crianças nas ruas, sem escola, sem lazer. Isso é que é ilegal e imoral. Violência doméstica e abuso sexual em crianças, isso é que é crime.

E tem um detalhe: se acontecer a legalização do aborto, ninguém é obrigada a fazer só porque é permitido. A legalização do aborto vai garantir a quem quiser interromper a gravides condições de higiene e saúde, preservando assim a vida das mulheres.

Quando vejo essa defesa acalorada por parte de membros da Igreja contra a legalização do aborto, sob a alegação de que é crime, uma pergunta me vem à cabeça: queimar pessoas na fogueira pela inquisição não era crime? E a Igreja Católica condenava e queimava.

E a pena de morte em alguns países? Não é crime também? Ou porque é o Estado que mata deixa de ser crime?

Crime é o fato de que apenas algumas crianças terão futuro. Crime é se pagar fortunas em escolas particulares para umas crianças brincarem, enquanto um número enorme de crianças nem a escola pública frequentam. Crime é algumas crianças irem aos famosos parques no exterior mais de uma vez por ano e outras, morando em Recife nunca terem sequer visto o mar. Crime é umas crianças terem brinquedos que custam muitos mis reais e outras não terem sequer uma lata velha cheia de areia para puxar e fingirem que é um carrinho.

Ao expor meu pensamento no chat que falei lá em cima, uma pessoa disse que não havia a menor necessidade de descrever a minha aversão à Igreja.

Eu não tenho aversão à Igreja. Sou até conservadora quando o assunto é religião. Sou conservadora porque, como um amigo escreveu uma vez, sonho com a igreja dos primórdios, onde as comunidades celebravam nas casas, todos se conheciam, se respeitavam e se cuidavam. Não gosto é quando os membros da Igreja colocam a instituição acima do Evangelho, quando coloca as leis feitas pelos homens, como o Direito Canônico, acima do que está escrito no Evangelho, negando, muitas vezes, o apelo do Cristo.

Vamos então dizer Sim à Vida, mas à vida em abundância como falou o mestre a quem seguimos e que foi condenado à cruz exatamente porque exigia que os conceitos da igreja daquela época fossem revistos e que todos e todas fossem incluídos.

Da próxima vez que quiser dizer Sim à Vida, faça opção preferencial pelos pobres, entenda a realidade deles e lute para que a justiça social aconteça.
A minha Igreja é a Igreja de Jesus Cristo, de São Francisco de Assis, de Dom Helder e do papa Francisco. E a sua, qual é?

sábado, 7 de abril de 2018

O DIA EM QUE O BOLO FICOU AMARGO OU COMO PERDER UM CLIENTE EM POUCAS PALAVRAS



Há uns seis, sete anos, conheci uma pequena empresa  de doces, bolos e salgados, chamada Delícia da Vovó, que fica na rua Jean Emile Favre, no Ipsep, próximo à Avenida Recife. Foi uma descoberta maravilhosa, pois além de fazer um pudim de leite delicioso, preparava kits de doces e salgados e bolos gostosos e com preços excelentes.

Durante esse tempo a cada comemoração que a minha família fazia, era na Delícias da Vovó que encomendávamos tudo. Minha mãe, inclusive, fazia encomendas mesmo sem ser para festas, pois gostava muito do pudim lá. Recomendávamos a todos os amigos e amigas. Podemos dizer que fazíamos uma boa divulgação dos serviços prestados pela empresa.

A pessoa com a qual eu mantinha contato, inclusive pelo whatszap sempre demonstrou simpatia por mim e minha família, nos tratava, aparentemente, super bem, era, enfim, um relacionamento entre fornecedor e cliente que eu considerava ótimo. 

Até que, em janeiro desse ano, as coisas azederam. Minha mãe fez 90 anos em fevereiro. Não podíamos deixar de comemorar uma data tão significativa. Eu e minahs filhas resolvemos entãi fazer uma pequena comemoração, com uma celebração da palavra e um bolo. E, claro, o primeiro lugar que nos ocorreu encomendar o bolo foi na Delícias da Vovó. Fiz a solicitação do orçamento pelo whatszap e fiquei aguardando. Como não queríamos de pasta americana, o orçamento demorou um pouco. Depois de um tempo, enviei uma mensagem à pessoa de contato para saber se estava com o orçamento. 

E, ele sem preceber, encaminhou pra mim a mensagem que havia enviado a alguém da empresa, solicitando o orçamento.

E a mensagem dizia exatamente assim: "Dona Rejane (velha gorda da cidade) está querendo um bolo confeitado de açúcar com limão, dá para fazer? É para a próxima semana". E, abaixo, o orçamento do bolo.

Vocês não imaginam a minha surpresa ao ver a forma pela qual sou chamada pelo pessoal da Delícias da Vovó. Trsiteza, decepção e raiva, confesso, tomaram conta de mim, ao ler essa mensagem. Como pode haver tanto desrespeito em relação a uma cliente antiga e habitual? Não consigo imaginar porque o tratamento de desdém e desprezo, colocando o fato de ser gorda e mais velha como xingamento?

É gente, o whatszap tem disso. Sem perceber encaminhamos o que não devemos a quem não queríamos. Ainda bem que isso aconteceu pois detestaria continuar sendo cliente de uma empresa que trata as pessoas dessa forma. 

Apenas um detalhe, quando conheci a pessoa em questão, ele fazia parte de Encontro de Casais com Cristo e Renovação Carismática. Pois é.

Claro que imediatamente enviei uma  mensagem dizendo que lamentava ser tratada por ele e por sua empresa daquela forma desrespeitosa, cancelei o pedido e  tentei deixar que isso não me afetasse. 

Acreditem ou não nem a um pedido de desculpas eu tive direito. A mensagem que enviei foi visualizada e nenhuma palavra. Apenas o silêncio.

Demorei um pouco para escrever esse artigo porque queria estar sem a mágoa e a tristeza do momento. Escrevo para mostrar o quanto a falta de respeito tomou conta das pessoas. Para mostrar a minha indignação e tristeza. E para que todos saibam que não sou mais clienta da Delícias da Vovó e não recomendo a mais ninguém. Uma empresa que destrata seus clientes dessa forma, não merece nenhuma consideração. 

Pois é o sabor da Delícias da Vovó azedou, ficou amargo e perdeu o seu encanto. Tudo porque seus responsáveis não tiveram consideração e respeito. E, sobreuto, faltou profissionalismo. Uma pena.

E, para que não venham a dizer que estou inventando tudo isso, tenho a mensagem do whatszap preservada em meu celular e também salva em imagem.



Mas seguimos em frente. E procuramos outras delícias. Afinal o que não falta em Recife são empresas que fazem boloc, doces e salgados, não é mesmo? Fizemos a encomenda na empresa que sempre fazíamos antes de conhecer a Delícias da Vovó e o bolo ficou lindo e gostoso. E custou metade do preço do orçamento dado, vejam vocês. Ah! Voltamos para Socorro Doces e Salgados, que continua com a mesma qualidade e atendimento de sempre. Vida que segue.