Cansadas de viverem sozinhas, de vez em quando as letras resolvem se misturar na cabeça de algumas pessoas e, juntas, formam palavras, que formam textos que, dependendo do momento e da imaginação de cada um, tornam-se contos, ensaios, críticas ou até mesmo incríveis historinhas infantis.
Daí, surgem misturas fantásticas para saciar a nossa fome de beleza e nos levar a um mundo encantado que só a nossa imaginação, unida à imaginação de quem escreve pode desvendar.
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

VOTAR: MAIS QUE UMA OBRIGAÇÃO, UM DIREITO E UMA CHANCE DE MUDANÇA


Sim, muito mais do que uma obrigação, votar é um direito. O direito de escolher seus representantes e de esperar que eles façam o melhor pelo povo do país.

No próximo domingo estaremos elegendo a pessoa que irá ocupar o cargo mais importante do País: presidente da república. Um cargo, na verdade, que não é importante apenas para o próprio Brasil, mas para o continente latino-americano e até mesmo para o restante do mundo.

Infelizmente, no Brasil, o voto é um direito corrompido, trocado por saco de cimento, dentadura, emprego e até mesmo dinheiro em espécie. Tudo isso porque é visto, por alguns, como um instrumento de troca de favores em benefício próprio e não como uma forma de mudar as coisas para que a pessoa nunca mais precise trocar seu voto por um colchão.

Uns votam porque um parente é candidato ou um parente de um amigo. Outros votam porque o patrão obriga. Outros porque acreditam nas promessas que nunca serão cumpridas.

Nessa eleição de 2018 outros motivos ainda menos consistentes foram acrescentados aos já existentes: o voto contra o PT e as esquerdas.

A mídia e algumas classes profissionais desencadearam um ódio ao PT que as pessoas sentem com ardor, mas não conseguem explicar.
Quando perguntamos “por que você odeia Lula e o PT?” a resposta era sempre: “Lula é ladrão, o PT é ladrão, são corruptos, quebraram o Brasil....” E daí a gente pergunta: “mas a maioria do Congresso Nacional é formada por parlamentares que ou estão sendo indiciados ou acusados de crimes de corrupção e, mesmo assim vão se candidatar e se reeleger”. Então um novo “argumento”  voltou à cena, que Lula vai tornar o Brasil comunista e transformar em uma Venezuela”.

Lembro que em 1989 usavam esse argumento de que Lula iria trazer o comunismo par ao Brasil. Um amigo, que votou em Collor, me disse perto das eleições: temos que ter cuidado. Se Lula for eleito ele vai tomar os bens da gente. Quem tiver duas casas, ele toma uma, quem tiver dois carros ele toma dois. Quem for contra ele vai ser preso...” E eu rindo, respondi: ah, se for acontecer isso eu não preciso me preocupar. Nem tenho dois carros nem duas casas. E como vou votar nela, não vou ser presa”.  E saí rindo do argumento tão infantil que não me deu vontade de rebater.

Treze anos depois, em 2002, Lula foi eleito presidente e, vejam só, não trouxe o comunismo para o Brasil. Foi o presidente com o maior índice de aprovação da história do país. Os ricos ficaram mais ricos e vejam só que inusitado: os pobres não ficaram mais pobres. Ao contrário, quase quarenta milhões de brasileiros saíram da linha de pobreza, o Brasil saiu do mapa da fome, aumentou em todo o país o número de instituições de ensino técnico e superior, os menos favorecidos tiveram acesso às faculdades privadas através do Fies e Prouni, aumentou o número de empregos formais, foi criado o MEI para que os trabalhadores informais ficassem na legalidade, aumentando a arrecadação de impostos e permitindo que esses profissionais possam garantir a sua aposentadoria.

Durante os governos do PT aumentou o acesso aos bens de consumo e pessoas que antes nunca haviam nem sonhado com essa possibilidade puderam comprar computador, moto, carro, viajar de avião e frequentar os magníficos templos de consumo, os shoppings centers.

Uma outra camada, mais carente, teve acesso a um bem ainda mais precioso: alimentação três vezes ao dia.

O PT não criou apenas melhorias para a população do País, aproveitou as boas coisas já existentes e implementou. Como no caso da área de saúde, contemplada com a ampliação do SAMU,   criado em Campinas em junho de 1995, pelo médico José Roberto Hansen  e das UPAS, cuja primeira unidade foi  inaugurada em 2002 no bairro Alto de São Manoel, situado no município potiguar de Mossoró.

O Mercosul se tornou mais forte e foi criado o BRICS, em 2006, composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, para dar voz a esses países no meio econômico.

As domésticas tiveram aprovada a PEC que lhes assegurou o direito ao FGTs  e a um horário de trabalho de 44 horas semanais.

Lula deixou o governo do Brasil em 31 de dezembro de 2010 com 85% de aprovação.

Foram tantos os benefícios para a população, foi tanto o dinheiro que as instituições financeiras e empresas ganharam que fica realmente difícil entender o que está acontecendo. |E a pergunta que não quer calar é: o que aconteceu para que as pessoas mudassem de ideia e hoje demonizem Lula e o PT?

Não sou analista política ou econômica. Por isso não vou entrar no cerne da questão. Vou falar o que acho que aconteceu: uma pequena parte da população, rica e poderosa, não ficou satisfeita em estar afastada do centro do poder político, de não ter aprovadas no Congresso e pela presidência da República, todas as suas reivindicações, como, por exemplo, aumentos de salário absurdos ou de não ter suas dívidas com o governo perdoadas, achou que era hora de tomar o poder de volta, fosse a que custo fosse.

E, a partir daí, teve o impeachment ilegal de uma presidenta eleita pela maioria da população , a prisão do maior líder político do País sem nenhuma prova, apenas pela convicção de que ele não poderia se candidatar de novo porque venceria do primeiro turno e a demonização do PT, o único partido de esquerda que conseguiu chegar à presidência da República e que realmente governo para o povo e não para a elite econômica.

Então a minha conclusão é a seguinte: O maior crime do PT foi ter governado para brancos, negros, índios e pardos, héteros e homossexuais, mulheres e homens, ricos e pobres. Lula não esperou o bolo crescer para depois fatiar, porque isso sempre foi história para boi dormir. Os governos do PT fatiaram o bolo enquanto ele crescia. E fatiaram com todos e todas.

O que aconteceu com a memória dessas pessoas que faziam parte dos 85% que aprovavam Lula ao fim de seu segundo mandato?

O que levou as pessoas a odiarem tanto Lula e o PT a ponto de votarem em um candidato que representa todo o atraso possível para o País?  Por que minha gente vocês querem que o Brasil ande de ré?

Lembrem-se para vive em paz, é preciso que, primeiro, a justiça social aconteça. Quanto mais aumentarem as perdas de direito, as perseguições e o estímulo ao uso de armas e tortura, maior será a violência no país.

O Brasil corre o risco de se transformar em um caldeirão efervescente de ódio, crueldade e violência. Quando isso acontecer, os ricos contratarão mais guarda-costas e blindarão ainda mais seus carros.

E quem não tem dinheiro para reforçar a segurança vai ficar a mercê dessa violência crescente, sujeito a levar uma bala perdida por aí e ser mais um número nos dados dos efeitos colaterais inevitáveis dos tempos sombrios que estão por vir.

Ou você pode impedir que isso aconteça. Por isso não vote por ódio, vote por amor à sua família, aos seus amigos e a você. Domingo vote sem ódio e sem medo de ser feliz


sábado, 12 de outubro de 2013

GREVE: DIREITO MESMO DE QUEM?

Sou uma pessoa que sempre defendeu a democracia e que lutou por ela, desde a juventude. Aprendi, muito cedo, a respeitar os direitos dos outros, mas, também, a exigir os meus direitos. Isso me foi passado como sendo algo fundamental à cidadania: a garantia e o respeito aos direitos.

Sempre concordei que a greve é um instrumento de reivindicação dos direitos, quando eles não estão sendo respeitados pelos patrões. Quando os professores da escola onde minhas filhas estudavam, quando pequenas, faziam greve em solidariedade aos colegas que não tinham seus direitos assegurados como eles, eu entendia e apoiava.

Hoje, diante da greve dos ônibus alguns meses atrás, e, recentemente, da dos bancários, dos correios e de 24h do metrô, tenho me questionado quanto a esse direito de fazer greve. E vou explicar por que.

Na minha cabeça a greve é um instrumento de alerta, um sinalizador para os patrões onde os funcionários passam o recado de que não estão satisfeitos com salário ou condições de trabalho, por exemplo. Com a paralisação, o patrão, para evitar maiores prejuízos financeiros, negocia com os funcionários sua pauta de solicitações.

Em tempos de ditadura, a greve era o único instrumento de protesto que os trabalhadores tinham diante da opressão, inclusive, econômica.
Ultimamente o que observamos com as greves é um transtorno insano à vida da população que paga seus impostos e que vê sua vida transformada em um caos por fatores acima de seu poder de decisão.

Vejamos a greve das Universidades Federais, quem mais se prejudicou? Os alunos que atrasaram praticamente um semestre inteiro e agora, as aulas são dadas corridas, com recessos menores do que  férias, com as pessoas se formando em março, abril setembro, desconectados do calendário regular de aulas.

E em relação à greve dos bancos e dos correios? Quem se prejudica? As pessoas que não usam internet para acessar o banco, as pessoas que não tem acesso nem a terminais de caixas eletrônicos e que, dessa forma, não podem pagar suas contas. Isso sem falar que muita gente sequer recebeu suas contas em dia, por causa da greve dos correios.

Resultado, contas pagas com atraso, juros, multas, cartões bloqueados por falta de pagamento, serviços suspensos, enfim, uma série de aborrecimentos e prejuízos financeiros que a população passa e que me questiono se isso é justo.

Durante a paralização de 24 horas do metrô, vi na TV pessoas desesperadas para chegar aos seus trabalhos e não sabiam como, outras que em lugar de pegar o metrô apenas, teria que pegar três ônibus. 

Acho que nós, trabalhadores, temos direito a boas condições de trabalho e a um salário justo. Mas é preciso repensar a prática da greve como instrumento de reivindicação quando os maiores prejudicados tem sido, vez após vez, os usuários. 

Aprendi, desde cedo que, o meu direito termina quando começa o do outro. E aí fica a minha pergunta: se a greve invade o direito da população aos serviços que estão sendo negados, não estaria ultrapassando os limites dos direitos dos outros? 

Sei que muitos, ao lerem este texto irão se horrorizar, me chamar de reacionário ou coisa pior, que a greve é um direito legal e tal. Não sou reacionária. Apenas acredito que direito tem que ser aplicado a todos. Determinada classe tem o direito de lutar por suas reivindicações. E, ao mesmo tempo, a população tem o direito de ter assegurada a prestação dos serviços. E, por isso, faço mais uma pergunta: tudo que é legal, realmente é justo?