Cansadas de viverem sozinhas, de vez em quando as letras resolvem se misturar na cabeça de algumas pessoas e, juntas, formam palavras, que formam textos que, dependendo do momento e da imaginação de cada um, tornam-se contos, ensaios, críticas ou até mesmo incríveis historinhas infantis.
Daí, surgem misturas fantásticas para saciar a nossa fome de beleza e nos levar a um mundo encantado que só a nossa imaginação, unida à imaginação de quem escreve pode desvendar.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

VOTAR: MAIS QUE UMA OBRIGAÇÃO, UM DIREITO E UMA CHANCE DE MUDANÇA


Sim, muito mais do que uma obrigação, votar é um direito. O direito de escolher seus representantes e de esperar que eles façam o melhor pelo povo do país.

No próximo domingo estaremos elegendo a pessoa que irá ocupar o cargo mais importante do País: presidente da república. Um cargo, na verdade, que não é importante apenas para o próprio Brasil, mas para o continente latino-americano e até mesmo para o restante do mundo.

Infelizmente, no Brasil, o voto é um direito corrompido, trocado por saco de cimento, dentadura, emprego e até mesmo dinheiro em espécie. Tudo isso porque é visto, por alguns, como um instrumento de troca de favores em benefício próprio e não como uma forma de mudar as coisas para que a pessoa nunca mais precise trocar seu voto por um colchão.

Uns votam porque um parente é candidato ou um parente de um amigo. Outros votam porque o patrão obriga. Outros porque acreditam nas promessas que nunca serão cumpridas.

Nessa eleição de 2018 outros motivos ainda menos consistentes foram acrescentados aos já existentes: o voto contra o PT e as esquerdas.

A mídia e algumas classes profissionais desencadearam um ódio ao PT que as pessoas sentem com ardor, mas não conseguem explicar.
Quando perguntamos “por que você odeia Lula e o PT?” a resposta era sempre: “Lula é ladrão, o PT é ladrão, são corruptos, quebraram o Brasil....” E daí a gente pergunta: “mas a maioria do Congresso Nacional é formada por parlamentares que ou estão sendo indiciados ou acusados de crimes de corrupção e, mesmo assim vão se candidatar e se reeleger”. Então um novo “argumento”  voltou à cena, que Lula vai tornar o Brasil comunista e transformar em uma Venezuela”.

Lembro que em 1989 usavam esse argumento de que Lula iria trazer o comunismo par ao Brasil. Um amigo, que votou em Collor, me disse perto das eleições: temos que ter cuidado. Se Lula for eleito ele vai tomar os bens da gente. Quem tiver duas casas, ele toma uma, quem tiver dois carros ele toma dois. Quem for contra ele vai ser preso...” E eu rindo, respondi: ah, se for acontecer isso eu não preciso me preocupar. Nem tenho dois carros nem duas casas. E como vou votar nela, não vou ser presa”.  E saí rindo do argumento tão infantil que não me deu vontade de rebater.

Treze anos depois, em 2002, Lula foi eleito presidente e, vejam só, não trouxe o comunismo para o Brasil. Foi o presidente com o maior índice de aprovação da história do país. Os ricos ficaram mais ricos e vejam só que inusitado: os pobres não ficaram mais pobres. Ao contrário, quase quarenta milhões de brasileiros saíram da linha de pobreza, o Brasil saiu do mapa da fome, aumentou em todo o país o número de instituições de ensino técnico e superior, os menos favorecidos tiveram acesso às faculdades privadas através do Fies e Prouni, aumentou o número de empregos formais, foi criado o MEI para que os trabalhadores informais ficassem na legalidade, aumentando a arrecadação de impostos e permitindo que esses profissionais possam garantir a sua aposentadoria.

Durante os governos do PT aumentou o acesso aos bens de consumo e pessoas que antes nunca haviam nem sonhado com essa possibilidade puderam comprar computador, moto, carro, viajar de avião e frequentar os magníficos templos de consumo, os shoppings centers.

Uma outra camada, mais carente, teve acesso a um bem ainda mais precioso: alimentação três vezes ao dia.

O PT não criou apenas melhorias para a população do País, aproveitou as boas coisas já existentes e implementou. Como no caso da área de saúde, contemplada com a ampliação do SAMU,   criado em Campinas em junho de 1995, pelo médico José Roberto Hansen  e das UPAS, cuja primeira unidade foi  inaugurada em 2002 no bairro Alto de São Manoel, situado no município potiguar de Mossoró.

O Mercosul se tornou mais forte e foi criado o BRICS, em 2006, composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, para dar voz a esses países no meio econômico.

As domésticas tiveram aprovada a PEC que lhes assegurou o direito ao FGTs  e a um horário de trabalho de 44 horas semanais.

Lula deixou o governo do Brasil em 31 de dezembro de 2010 com 85% de aprovação.

Foram tantos os benefícios para a população, foi tanto o dinheiro que as instituições financeiras e empresas ganharam que fica realmente difícil entender o que está acontecendo. |E a pergunta que não quer calar é: o que aconteceu para que as pessoas mudassem de ideia e hoje demonizem Lula e o PT?

Não sou analista política ou econômica. Por isso não vou entrar no cerne da questão. Vou falar o que acho que aconteceu: uma pequena parte da população, rica e poderosa, não ficou satisfeita em estar afastada do centro do poder político, de não ter aprovadas no Congresso e pela presidência da República, todas as suas reivindicações, como, por exemplo, aumentos de salário absurdos ou de não ter suas dívidas com o governo perdoadas, achou que era hora de tomar o poder de volta, fosse a que custo fosse.

E, a partir daí, teve o impeachment ilegal de uma presidenta eleita pela maioria da população , a prisão do maior líder político do País sem nenhuma prova, apenas pela convicção de que ele não poderia se candidatar de novo porque venceria do primeiro turno e a demonização do PT, o único partido de esquerda que conseguiu chegar à presidência da República e que realmente governo para o povo e não para a elite econômica.

Então a minha conclusão é a seguinte: O maior crime do PT foi ter governado para brancos, negros, índios e pardos, héteros e homossexuais, mulheres e homens, ricos e pobres. Lula não esperou o bolo crescer para depois fatiar, porque isso sempre foi história para boi dormir. Os governos do PT fatiaram o bolo enquanto ele crescia. E fatiaram com todos e todas.

O que aconteceu com a memória dessas pessoas que faziam parte dos 85% que aprovavam Lula ao fim de seu segundo mandato?

O que levou as pessoas a odiarem tanto Lula e o PT a ponto de votarem em um candidato que representa todo o atraso possível para o País?  Por que minha gente vocês querem que o Brasil ande de ré?

Lembrem-se para vive em paz, é preciso que, primeiro, a justiça social aconteça. Quanto mais aumentarem as perdas de direito, as perseguições e o estímulo ao uso de armas e tortura, maior será a violência no país.

O Brasil corre o risco de se transformar em um caldeirão efervescente de ódio, crueldade e violência. Quando isso acontecer, os ricos contratarão mais guarda-costas e blindarão ainda mais seus carros.

E quem não tem dinheiro para reforçar a segurança vai ficar a mercê dessa violência crescente, sujeito a levar uma bala perdida por aí e ser mais um número nos dados dos efeitos colaterais inevitáveis dos tempos sombrios que estão por vir.

Ou você pode impedir que isso aconteça. Por isso não vote por ódio, vote por amor à sua família, aos seus amigos e a você. Domingo vote sem ódio e sem medo de ser feliz


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

DIGA SIM À VIDA!



"A defesa do nascituro inocente, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque é ali que está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada, e exige o amor de cada pessoa além de seu desenvolvimento. Mas igualmente sagrada é a vida dos pobres que já nasceram, que estão lutando na pobreza, no abandono, no adiamento, no tráfico de pessoas, na eutanásia encoberta nos doestes e idosos privados de atenção, as novas formas de escravidão, e em toda forma de exclusão". Papa Francisco - Gaudete et Exsultate.

Está no ar uma discussão muito séria e acalorada: a descriminalização ou não do aborto. Uma questão que é de saúde pública virou uma bandeira religiosa, uma verdadeira obsessão,  transformada em uma defesa fundamentalista, sem espaço para uma compreensão maior do contexto onde a maioria dos abortos são realizados e o grande número de óbitos por parte das mulheres que se submetem à interrupção da gravidez.

Recentemente ao colocar minha opinião em um chat, uma resposta me fez pensar no quanto as pessoas estão longe de entender as causas e consequências do aborto.

As Igrejas cristãs se arvoram de defensoras da vida, se unem contra a descriminalização do aborto, alegando estar defendendo a vida. Só que essas parcela das Igrejas vão às ruas com bandeiras, faixas e camisas sob a alegação de dizer sim à vida. Mas o meu questionamento sempre foi: ser contra descriminalização o aborto é a mesma coisa que defender a vida?


Eu não sou a favor de aborto. Nunca fiz e nem faria. Mas o que está sendo discutido hoje não tem nada a ver com fazer ou não fazer aborto. Tem a ver com penalizar ou não as mulheres que interrompem a gravidez, condenando-as sem procurar ouvir suas histórias, sem entender o seu contexto.

Quando a Igreja Católica leva multidões às ruas para dizer Sim à Vida, não deveria dizer sim á vida em toda a sua plenitude e não apenas à vida dos fetos?
Quando fazem protestos contra a legalização do aborto, não deveriam também fazer protestos contra à miséria, à pobreza, à fome, à educação precária e à falta de um lar?

Já imaginaram  que se a Igreja não proibisse os contraceptivos não haveria tantos abortos e tantas mulheres morrendo em consequência das condições precárias às quais recorrem para interromper uma gravidez que não têm nenhuma condição de continuar?

E se as pastorais que chegam até as comunidades conversassem com as mulheres sobre o uso de contraceptivos? Quem sabe até distribuíssem ou encaminhassem para os postos de saúde?

Crianças geradas em meio à miséria e à pobreza, já estão condenadas desde os primeiros minutos da concepção a não ter nenhum futuro. Podem até escapar do aborto, mas não sobreviverão à fome, à violência doméstica e das ruas ou às drogas.
Se a Igreja Católica quer realmente dizer sim à vida, primeiro acabe com a proibição dos contraceptivos, uma proibição tão sem sentido quanto querer que mulheres pobres, muitas vezes estupradas pelos próprios companheiros, evitem gravidez usando a tal da tabela. 

Conseguimos penar em algo do tipo a mulher está em seu casebre, chega o companheiro bêbado, querendo transar e daí ela olha na tabela e diz que não pode porque é dia fértil? Isso é surreal e insano. Entretanto se essa mulher tomasse pílula anticoncepcional, por exemplo, ela não engravidaria e não precisaria recorrer a um aborto clandestino porque não tem mais como ter mais um filho e vê-lo morrer de fome.

Vamos dizer Sim à Vida, exigindo o fim da exclusão e da injustiça social. Isso é que devia ser ilegal e punido. A fome é que é ilegal. Crianças nas ruas, sem escola, sem lazer. Isso é que é ilegal e imoral. Violência doméstica e abuso sexual em crianças, isso é que é crime.

E tem um detalhe: se acontecer a legalização do aborto, ninguém é obrigada a fazer só porque é permitido. A legalização do aborto vai garantir a quem quiser interromper a gravides condições de higiene e saúde, preservando assim a vida das mulheres.

Quando vejo essa defesa acalorada por parte de membros da Igreja contra a legalização do aborto, sob a alegação de que é crime, uma pergunta me vem à cabeça: queimar pessoas na fogueira pela inquisição não era crime? E a Igreja Católica condenava e queimava.

E a pena de morte em alguns países? Não é crime também? Ou porque é o Estado que mata deixa de ser crime?

Crime é o fato de que apenas algumas crianças terão futuro. Crime é se pagar fortunas em escolas particulares para umas crianças brincarem, enquanto um número enorme de crianças nem a escola pública frequentam. Crime é algumas crianças irem aos famosos parques no exterior mais de uma vez por ano e outras, morando em Recife nunca terem sequer visto o mar. Crime é umas crianças terem brinquedos que custam muitos mis reais e outras não terem sequer uma lata velha cheia de areia para puxar e fingirem que é um carrinho.

Ao expor meu pensamento no chat que falei lá em cima, uma pessoa disse que não havia a menor necessidade de descrever a minha aversão à Igreja.

Eu não tenho aversão à Igreja. Sou até conservadora quando o assunto é religião. Sou conservadora porque, como um amigo escreveu uma vez, sonho com a igreja dos primórdios, onde as comunidades celebravam nas casas, todos se conheciam, se respeitavam e se cuidavam. Não gosto é quando os membros da Igreja colocam a instituição acima do Evangelho, quando coloca as leis feitas pelos homens, como o Direito Canônico, acima do que está escrito no Evangelho, negando, muitas vezes, o apelo do Cristo.

Vamos então dizer Sim à Vida, mas à vida em abundância como falou o mestre a quem seguimos e que foi condenado à cruz exatamente porque exigia que os conceitos da igreja daquela época fossem revistos e que todos e todas fossem incluídos.

Da próxima vez que quiser dizer Sim à Vida, faça opção preferencial pelos pobres, entenda a realidade deles e lute para que a justiça social aconteça.
A minha Igreja é a Igreja de Jesus Cristo, de São Francisco de Assis, de Dom Helder e do papa Francisco. E a sua, qual é?

sábado, 7 de abril de 2018

O DIA EM QUE O BOLO FICOU AMARGO OU COMO PERDER UM CLIENTE EM POUCAS PALAVRAS



Há uns seis, sete anos, conheci uma pequena empresa  de doces, bolos e salgados, chamada Delícia da Vovó, que fica na rua Jean Emile Favre, no Ipsep, próximo à Avenida Recife. Foi uma descoberta maravilhosa, pois além de fazer um pudim de leite delicioso, preparava kits de doces e salgados e bolos gostosos e com preços excelentes.

Durante esse tempo a cada comemoração que a minha família fazia, era na Delícias da Vovó que encomendávamos tudo. Minha mãe, inclusive, fazia encomendas mesmo sem ser para festas, pois gostava muito do pudim lá. Recomendávamos a todos os amigos e amigas. Podemos dizer que fazíamos uma boa divulgação dos serviços prestados pela empresa.

A pessoa com a qual eu mantinha contato, inclusive pelo whatszap sempre demonstrou simpatia por mim e minha família, nos tratava, aparentemente, super bem, era, enfim, um relacionamento entre fornecedor e cliente que eu considerava ótimo. 

Até que, em janeiro desse ano, as coisas azederam. Minha mãe fez 90 anos em fevereiro. Não podíamos deixar de comemorar uma data tão significativa. Eu e minahs filhas resolvemos entãi fazer uma pequena comemoração, com uma celebração da palavra e um bolo. E, claro, o primeiro lugar que nos ocorreu encomendar o bolo foi na Delícias da Vovó. Fiz a solicitação do orçamento pelo whatszap e fiquei aguardando. Como não queríamos de pasta americana, o orçamento demorou um pouco. Depois de um tempo, enviei uma mensagem à pessoa de contato para saber se estava com o orçamento. 

E, ele sem preceber, encaminhou pra mim a mensagem que havia enviado a alguém da empresa, solicitando o orçamento.

E a mensagem dizia exatamente assim: "Dona Rejane (velha gorda da cidade) está querendo um bolo confeitado de açúcar com limão, dá para fazer? É para a próxima semana". E, abaixo, o orçamento do bolo.

Vocês não imaginam a minha surpresa ao ver a forma pela qual sou chamada pelo pessoal da Delícias da Vovó. Trsiteza, decepção e raiva, confesso, tomaram conta de mim, ao ler essa mensagem. Como pode haver tanto desrespeito em relação a uma cliente antiga e habitual? Não consigo imaginar porque o tratamento de desdém e desprezo, colocando o fato de ser gorda e mais velha como xingamento?

É gente, o whatszap tem disso. Sem perceber encaminhamos o que não devemos a quem não queríamos. Ainda bem que isso aconteceu pois detestaria continuar sendo cliente de uma empresa que trata as pessoas dessa forma. 

Apenas um detalhe, quando conheci a pessoa em questão, ele fazia parte de Encontro de Casais com Cristo e Renovação Carismática. Pois é.

Claro que imediatamente enviei uma  mensagem dizendo que lamentava ser tratada por ele e por sua empresa daquela forma desrespeitosa, cancelei o pedido e  tentei deixar que isso não me afetasse. 

Acreditem ou não nem a um pedido de desculpas eu tive direito. A mensagem que enviei foi visualizada e nenhuma palavra. Apenas o silêncio.

Demorei um pouco para escrever esse artigo porque queria estar sem a mágoa e a tristeza do momento. Escrevo para mostrar o quanto a falta de respeito tomou conta das pessoas. Para mostrar a minha indignação e tristeza. E para que todos saibam que não sou mais clienta da Delícias da Vovó e não recomendo a mais ninguém. Uma empresa que destrata seus clientes dessa forma, não merece nenhuma consideração. 

Pois é o sabor da Delícias da Vovó azedou, ficou amargo e perdeu o seu encanto. Tudo porque seus responsáveis não tiveram consideração e respeito. E, sobreuto, faltou profissionalismo. Uma pena.

E, para que não venham a dizer que estou inventando tudo isso, tenho a mensagem do whatszap preservada em meu celular e também salva em imagem.



Mas seguimos em frente. E procuramos outras delícias. Afinal o que não falta em Recife são empresas que fazem boloc, doces e salgados, não é mesmo? Fizemos a encomenda na empresa que sempre fazíamos antes de conhecer a Delícias da Vovó e o bolo ficou lindo e gostoso. E custou metade do preço do orçamento dado, vejam vocês. Ah! Voltamos para Socorro Doces e Salgados, que continua com a mesma qualidade e atendimento de sempre. Vida que segue.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

DE VOLTA AOS TEMPOS DE BARBÁRIE: AQUI VAMOS NÓS.

por Rejane Menezes




Não sei se estarrecida seria a palavra para definir como me senti no domingo, 05 de novembro, ao ver as notícias sobre o comportamento de algumas pessoas nas portas de locais de realização do exame do ENEM.

Seria só eu ou muita gente também ficou horrorizada e indignada com o comportamento de pessoas que, em diversas cidades do país, foram se divertir com a agonia de quem se atrasou e não conseguiu entrar?

Confesso que minha cabeça deu um nó ao ler que as pessoas saíram de suas casas, em uma manhã de domingo, para fazer piquenique, tomar cerveja, se divertir, à custa de quem não conseguiu chegar a tempo para prestar o exame. Que país é essa minha gente, onde o sofrimento de uns é motivo de badalação para outros?

É com muita preocupação que venho acompanhando as notícias do retrocesso do Brasil em todas as áreas: social, ambiental, econômica, religiosa e humana, com a exacerbação dos preconceitos e da intolerância. A divisão de classes está cada vez mais acentuada e acirrada. A homofobia vem fazendo vítimas de violência, inclusive física, assim como a intolerância religiosa, com o fanatismo e o fundamentalismo se espalhando e indo na contramão do que qualquer religião prega: a justiça.

E agora, do nada, sem uma razão sequer, nos deparamos com camarotes distribuindo cerveja para os retardatários, com corredores de pessoas gritando e até mesmo atrapalhando quem chega desesperado para conseguir encontrar o portão aberto.

O que é isso minha gente? Será que as pessoas não conseguem mais racionar como animais racionais? A racionalidade, a única coisa que nos diferencia dos outros animais, estaria atrofiando? Será que o ciclo de evolução se fechou e agora estamos no processo inverso?
Fico me perguntando o que leva um grupo de jovens a “assistir” ao atraso dos candidatos ao ENEM, tomando cerveja gelada e ainda a comentar que “esse ano foi fraco. Mas valeu o rolê”.

Se esses jovens são uma representação do futuro do Brasil, sinto informar que não haverá futuro.

Sempre fui uma pessoa otimista. Sempre me orgulhei de ser brasileira e, sobretudo, de ser nordestina. Hoje me resta apenas o orgulho de ser nordestina, porque em ser brasileira, só sinto vergonha.

Não consigo entender a diversão em ver pessoas correndo para conseguir acessar os portões e fazer uma prova cujo resultado poderá mudar totalmente sua vida.

Quantos sonhos foram destruídos ontem ou, pelo menos, adiados, para os que encontraram os portões dos locais de prova fechados? Quantos planos foram por água abaixo, diante da impossibilidade de tentar acesso ás universidades públicas?

Quantas daquelas pessoas que chegaram atrasadas já não tentaram entrar na faculdade mais de uma vez?

Para muitos dos que se divertiam com a desgraça dos outros, entrar na faculdade não foi ou não será um problema. Afinal, se não entrar nas públicas, seus pais podem pagar. Mas e quem não pode pagar por uma universidade privada? Não vivemos mais em tempos em que o financiamento estudantil era uma realidade plausível e que ajudou a muitos estudantes pobres a conquistarem seus diplomas. Isso é passado. Aos menos abastados a única opção é a universidade pública. E perder o exame do ENEM não tem nada de engraçado.

O exame do ENEM não é um espetáculo, um show, uma apresentação, que deva mobilizar público, seja para torcer, como alguns disseram estar fazendo, seja para assistir ou, pior ainda, atrapalhar, como pudemos ver em matérias na mídia.

Os motivos de quem chegou atrasado são inúmeros e cada um tem o seu. E, em nenhum caso, com certeza, diz respeito a quem estava aglomerado nas imediações dos locais de prova. E é aí que a realidade atual do país mais me assusta: a intromissão na vida pessoal de estranhos está se tornando uma constante, na verdade, eu diria, está deixando de ser um desvio de conduta, antes criticado, para se tornar uma prática, aplaudida e noticiada, por algumas mídias, com bom humor e descontração.

Não minha gente, nunca essas práticas de invasão na vida dos outros pode ser encarada como uma notícia leve, engraçada ou bem humorada.

Bater em uma mãe e uma filha ou em dois irmãos, por achar que são homossexuais, tem que ser motivo de indignação e de combate. É uma violência e um desrespeito à individualidade de cada ser humano. Se uma pessoa é adepta de uma religião de matriz Afro, ela tem que ser respeitada por pessoas de outras religiões, porque respeito e acolhimento é um princípio básico de qualquer religião.

Estão nos tirando todos os direitos:à educação, à saúde, à aposentadoria, à moradia, trabalhistas, ambientais, de opção sexual e religiosa. Estão destruindo a nossa dignidade. E, ao vermos todo esse comportamento absurdo em relação aos que perderam a hora do exame do ENEM, temos a sensação de que as pessoas estavam comemorando o infortúnio, trazendo para fora dos muros da prova o clima de competição e animosidade que acreditam que deva existir entre os competidores.

Cada um que chegar atrasado é um competidor a menos e, por consequência, uma chance a mais para quem está fazendo a prova. Se for esse o raciocínio, se para quem chegou a tempo, quanto menos pessoas fizerem o exame, melhores as chances, mais se confirma o meu prognóstico de que não há um futuro para esse país.

Por isso é preciso despertar desse torpor, desse caminhar automático, sem olhar para os lados e nem para trás. É preciso despertar desse pesadelo que estamos vivendo nos últimos tempos e questionarmos as nossas atitudes, as nossas supostas convicções.

Não é divertido tomar cerveja enquanto as pessoas estão desesperadas porque perderam a hora do exame. Isso é sintoma de uma doença nacional grave,  muito grave: a desesperança. É a sinalização de uma desilusão profunda, de um sentimento de não ter por que lutar.

Por isso, depois de vermos uma parte de nossa população ir às ruas e ter uma atitude como essa, de transformar a desgraça alheia em uma fonte de diversão e laser, acredito que, como povo, chegamos ao fundo do poço. E, a partir de agora, qual será a fonte de diversão? Sentarmos em uma de nossas magníficas e caríssimas arenas e assistirmos, extasiados aos leões devorarem quem não consegue pagar o aluguel? Ou batermos palmas e incentivarmos as lutas corporais entre candidatos a uma vaga de emprego?

É isso mesmo produção? É isso que queremos para o futuro de nossos descendentes? Selvageria e barbárie? Violência como diversão?
Depois do que ocorreu nesse domingo, 05 de novembro, penso que  temos o dever cívico de nos desacomodarmos e começarmos a tecer as cordas que nos ajudarão a subir pelas paredes desse poço, enquanto ainda estamos no fundo.
Se não fizermos nada, haverá grandes possibilidades de, até o ano que vem, no próximo exame do ENEM não estarmos mais no fundo poço e sim de estarmos caindo em um poço sem fundo.

A escolha é nossa. Ainda há tempo de subirmos em busca da nossa dignidade roubada, enquanto ela ainda não está totalmente perdida.


sábado, 23 de setembro de 2017

CIDADANIA EU QUERO UMA PRA VIVER!


 Quem mora nas proximidades de algum colégio sabe que é um inferno. Isso porque os educadores e os pais dos alunos e alunas parecem não saber o que significa cidadania.

Todo mundo reclama do trânsito que fica complicado, dos carros estacionados nas calçadas, fila dupla ou portões e a gente fica se perguntando como pode isso acontecer justamente nas vizinhanças de um local que se propõe a educar.
Quem mora nos arredores do Colégio Anchieta, com certeza, não sabe o que significa sossego. O barulho no colégio começa antes das sete da manhã e  vai até dez da noite, quando não ultrapassa.

 Quando os alunos não estão gritando loucamente, estão ensaiando para alguma apresentação ou estão jogando na quadra, tudo sempre muito, muito alto. A quadra do colégio funciona como uma espécie de amplificador e a turminha não economiza nos gritos.  Pense em uma combinação explosiva.

Durante toda essa semana ocorreram ensaios para uma festa que se acreditava estar acontecendo todos os dias, durante os dois expedientes, tal era a altura do som. Algo surreal de estar acontecendo em um colégio onde nem todos deviam estar ensaiando e, portanto, alguns deveriam estar estudando. E não adianta pedir para baixarem o som porque a resposta é: estamos no horário permitido. Permitido para que? Para incomodar a vizinhança? Para não permitir que os bebês durmam ou quem trabalhe à noite possa descansar?

Mas hoje a sexta-feira começou diferente. Havia silêncio no colégio. Nenhum grito, nenhum ensaio, nenhuma voz ... O que teria acontecido? Finalmente tinha ensinado aos alunos a lição de cidadania onde temos o dever de respeitar os nossos semelhantes? Ou que os nossos direitos terminam quando começam os dos vizinhos?

Sabe aquela calmaria que antecede um tsunami? Quando o mar recua, parecendo tranquilo e depois volta com tudo? Pois foi exatamente isso que aconteceu.  A calma com a qual fomos agraciados pela manhã e parte da tarde foi um engodo, uma pausa para o que estava por vir.

E vamos combinar que o  Anchieta, dessa vez, se superou. Promoveram uma festa em uma sexta-feira, final de tarde e não se preocuparam com as possíveis consequências de fazer um evento sem planejamento, sem se preocupar com ordenamento do trânsito.

Digamos assim que  Colégio Anchieta dessa vez se superou na maneira de promover suas festas. Os pais além de verem as apresentações de seus filhinhos, a um volume ensurdecedor, que incomoda todo o quarteirão, ganharam um brinde: Todos os carros estacionados ao longo da rua, inclusive fechando entradas de prédios, foram multados.

Muito falta de sorte né papais e mamães? Como vocês iam adivinhar que dois agentes da CTTU estariam passando pelas redondezas e, vendo o caos que estava o trânsito, iriam multar logo seus inocentes carrinhos? Caramba, que coisa né? Mas isso é o que acontece quando não se está nem aí para os outros e estaciona o carro de qualquer jeito, porque o importante é não perder a apresentação da prole né? Quem se importa se do jeito que estacionam o carro vai impedir trabalhadores exaustos de entrarem em seus prédios?

Quem se importa se, por causa dos seus carros estacionados indevidamente travou o trânsito do quarteirão inteiro? "É uma festa minha gente"! Teve quem dissesse, tentando justificar seu carro estacionado atrapalhando o trânsito.

Quem se importa que moradores dos prédios vizinhos tenham levado mais de uma hora para andar 50 metros e ao chegar não tinham como entrar? Afinal, os filhos de quem está obstruindo sua garagem está dançando. Quem quiser entrar em casa que espere.

E esse foi o saldo da festa de hoje:

1 - De tão alto o som, vizinhos não podiam ouvir sequer suas Tvs ou conversar normalmente.

2 – Trânsito travado no quarteirão inteiro, chegando o engarrafamento ás ruas transversais e paralelas.

3 – Moradores dos prédios e casas vizinhas levando de meia a uma hora para percorrer uns poucos metros.

4 – Vários desses moradores sem conseguir entrar em suas garagens por estarem obstruídas por carros estacionados.

5 – E multas. Muitas multas. Ainda que por obra do acaso, benditos sejam os agentes da CTTU que chegaram em meio ao caos e ordenaram o trânsito e acabaram com o engarrafamento causado pelo transtorno de carros estacionados em todo canto, impedindo o fluxo dos carros.

Já diziam os romanos que “Non omne quod licet honestum est”,ou seja que  “nem tudo que é legal é honesto”, ou poderíamos dizer também que “nem tudo que é legal é lícito ou ético”.  Se a lei diz que se pode fazer barulhos durante determinado horário, o bom senso,  o raciocínio civilizado e a ética nos dizem que é preciso respeitar os outros. Sobretudo quando se tem uma instituição de ensino que deveria preparar os cidadãos de agora e do futuro.

Tomara que essa cutucada nos bolsos de quem não está nem aí para as leis de trânsito ou não se preocupam com as normas da boa convivência, provoque uma repensada em seus conceitos.

Ver os filhos se apresentando nas festas do colégio é tudo de bom. Nunca perdi nenhuma. Mas atrapalhar a vida dos outros é tudo de ruim. É um péssimo exemplo para os filhos. Um forma distorcida de viver a vida.

Hoje os parabéns vão para os agentes da CTTU que agiram com eficiência organizando o caos provocado pelos pais do colégio Anchieta e os pêsames vão para esse colégio e os pais /parentes de seus alunos que, esquecendo que vivemos em uma coletividade, só pensam em seus umbigos e estão pouco se importando com os outros.

E, no final das contas, quem perde é o futuro, porque com exemplos desses, que filhos esses pais e educadores deixarão para o mundo?



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

JEJUM EM TEMPOS DE GRITO

Depois da publicação de várias notas chamando os cristãos e cristãs a lutarem por seu direitos, a CNBB -  Conferência Nacional dos Bispos do Brasil convida a todos para uma “Jornada de Oração pelo Brasil, a ser realizada nas comunidades, paróquias, dioceses e regionais do país, de 1º a 7 de setembro próximo. Os bispos decidiram mobilizar os cristãos, por meio da oração, após a análise da realidade brasileira feita na última reunião do Conselho Episcopal Pastoral da entidade, dias 10 e 11 de agosto”.

E, esse convite, essa sugestão, levou algumas pessoas, como o sociólogo e escritor Pedro Oliveira, a refletir sobre essa espécie de recuo por parte da CNBB em relação ao chamado dos cristãos e cristãs a irem ás ruas ou mesmo participar de greves gerais, reivindicando de volta o que lhes está sendo tomado: o direito a uma vida digna  e a justiça social (http://jornaloporta-voz.blogspot.com.br/2017/08/a-cnbb-recolhida-em-jejum-e-oracao_23.html)
“O Dia de Oração e Jejum sugerido é o dia 7 de setembro, data que marca a Independência do Brasil”, ainda de acordo com a nota.

Ora, o dia 07 de setembro é, desde 1995, o dia em que vai ás ruas o GRITO DOS EXCLUÍDOS, gestado a partir da iniciativa da Pastoral Social da mesma CNBB e de movimentos sociais.  O 1º Grito dos Excluídos saiu  levando às ruas o tema da Campanha da Fraternidade daquele ano: “A Fraternidade e os Excluídos”.

E aqui colocamos a pergunta que não quer calar: por que jejum e oração e nenhuma menção ao Grito? Não poderia ter sido sugerido que a jornada proposta fosse encerrada com a participação, em todo o Brasil, no 23º Grito, cujo tema para esse ano é: “Vida em primeiro lugar. Por direitos e democracia, a luta é todo dia” ?

Por que jejum? Em um mundo onde milhões de pessoas passam fome, pessoas que dariam tudo por um pouco de alimento, não dá para entender como pessoas que têm acesso á alimentação deixariam de comer em prol de um país melhor. E as pessoas que já jejuam forçadamente todos os dias? Se o jejum fosse uma forma eficaz de melhorar o país, a privação dessas pessoas já não deveria ser suficiente para o país sair da crise? Então a injustiça social, a miséria, a fome diária pela qual passa a população carente do Brasil já não seria sacrifício suficiente? Ou o sacrifício dessas pessoas já é tão natural que não conta? O jejum que conta é de quem tem o que comer todos os dias e pode se dar ao luxo de deixar de comer quando quer? Se sofrimento físico modificasse o mundo, tornasse o mundo melhor, já não teriam sido suficientes as guerras e toda a miséria, por exemplo, de uma Etiópia? Baseado na suposta eficácia do jejum, o planeta hoje já não deveria ser um novo éden?

Por que então não propor um jejum diferente ás pessoas de boa vontade? Um jejum de egoísmo, de ódio, de intrigas, de corrupção, de perseguição? Por que não propor que na primeira semana de setembro se faça jejum dos preconceitos nossos de cada dia? Que tal então, por uma semana, ao menos por um dia se deixar de lado a misoginia, machismo, homofobia,  preconceito racial e de classe?

Por que não propor ao Povo de Deus, caros bispos e arcebispos da CNBB e religiosos e religiosas de todo o Brasil, que faça jejum de desrespeito, de ameaças, de desprezo?

Esse tipo de jejum sim, com toda certeza, nos tornaria pessoas muito melhores. E, aliado a esse jejum, de atitudes e não de comida, faríamos nossas orações, não apegados ás orações já prontas, mas em um momento de íntima relação com Deus, onde com sinceridade rogaríamos pela justiça social, pela dignidade da vida, para todos e todas e não apenas para quem pode se dar ao luxo de jejuar quando quer.


E depois desse jejum e dessas orações , estaríamos prontos de coração e alma, para sair ás ruas no dia 07 de setembro engrossar o coro dos que clamam por democracia e justiça. Para sermos ativos reivindicadores e, acima de tudo, promotores da vida em abundância para todos. 

Em Recife: concentração a partir
das 09h da manhã na praça deo Derby

terça-feira, 15 de agosto de 2017

ABANDONADOS EM UM PAÍS SEM RESPEITO ÀS LEIS

Nos últimos meses viver no Brasil se tornou uma verdadeira desventura. Vemos todos os nossos direitos sendo tirados, a possibilidade de morrer sem conseguir se aposentar fica cada vez mais real e nós, o povo brasileiro, sendo desrespeitado em todas as instâncias, enquanto os que detêm o poder econômico estão cada vez mais fortalecidos.

O respeito à nossa cidadania, conquistado a duras penas, está sendo apagado, pouco a pouco, em todas as instâncias, inclusive na de consumidor.

No passado tive algumas experiências difíceis para garantir meus direitos de consumidora, antes do tal do código. Batalhas que ganhei não pelo respeito aos meus direitos pelas empresas, mas pela persistência em lutar por eles.

Com o advento do Código do Consumidor, as coisas evoluíram um pouco e trocar um produto com defeito de fábrica ficou mais fácil.

Porém em tempos de Brasil sem Lei, o código do consumidor parece já não ser mais temido pelos empresários. Pelo menos é o que parece estar acontecendo na mais recente batalha que ainda estou travando com a LG- Life’s Good (lg.com.br). Bem, a vida pode ser boa para os sócios, quem sabe até para os funcionários. Mas, com certeza, não é tão boa assim para quem compra os produtos da LG . Uma das maiores fabricantes de eletroeletrônicos do mundo.

Compramos, em novembro de 2016, uma televisão LG para minha mãe, quando a dela quebrou e não teve mais conserto. Depois de muita pesquisa de preço e de modelos, a compra foi efetuada pela internet, no site do Extra e chegou sem nenhum problema, antes do prazo previsto e funcionando normalmente.

Em maio uma desagradável surpresa: apareceu uma daquelas famigeradas linhas vermelha na tela. O defeito que a Tv antiga levou uns seis a sete anos para apresentar, a nova apresentou em menos de seis meses. Em 26 de maio levamos a Tv para a assistência técnica indicada no site da LG. No dia 02 de junho, por SMS, fomos informados pela LG que a TV seria trocada e que entrariam em contato em até cinco dias. No dia 07 de junho recebemos, via e-mail, a confirmação de que o processo de autorização de troca havia sido concluído,  em seguida encaminharam a nota fiscal do novo aparelho e informaram o  prazo de entrega era de 10 úteis, ou seja, deveria estar chegando até o dia 20 de junho.

Entrei em contato com a LG por telefone e foi confirmado o envio. O tempo passou e a Tv não chegou. Dei um prazo até o final de junho. No início de julho voltei a entrar em contato com a LG e, para minha surpresa, eles não sabiam dizer o que havia acontecido. Informação que recebemos: “a coordenação do suporte irá ser notificada, entrará  em contato com a transportadora e que ligássemos dali a cinco dias para saber uma posição”. Achei estranho um contato entre o suporte da LG e a transportadora que presta serviços para ela levar cinco dias. Liguei três dias depois. E, como se fosse uma gravação, sem ser,  foi dito a mesma coisa, além da observação que eu havia ligado três dias antes e que eles estavam no prazo para a resposta. Ironizando o fato perguntei por que em lugar de escrever uma carta para a transportadora não usavam o telefone? A LG ainda não havia descoberto o e-mail? O Whatszap ou telegram? Não dá para entender por que esse contato levaria cinco dias em plena era da comunicação. A pessoa que atendeu disse apenas que o prazo era aquele e que não podia fazer nada. E ainda completou dizendo que eu precisava entender que a Tv estava sendo mandada de outra cidade. Ao que respondi: “Isso eu entendo perfeitamente, uma vez que, na minha cidade não tem fábrica da LG. O que realmente não entendo é esse prazo para uma coisa tão simples quanto entrar em contato para saber onde anda a Tv”.

O tempo continuou passando. E essa resposta da coordenação entrar em contato com a transportadora foi dada mais algumas vezes. Até que, depois de muitas ligações e e-mails, a resposta mudou: a Tv estava retida na SEFAZ, por causa da Nota Fiscal que estava errada. Eles iam resolver e deram a opção de reembolsar o dinheiro ou aguardar de dez a quinze dias úteis. Liguei no nono dia, o que foi imediatamente mencionado pela pessoa do suporte. Dessa vez disseram que já haviam substituído a nota e o prazo continuava de dez a quinze dias úteis.

Já no final de julho, sabe-se lá que dia útil exatamente seria, décimo segundo talvez, a minha mãe, que tem 89 anos de idade, resolveu ela mesma ligar. Disseram que já pagaram a multa (??) e que não podiam fazer nada quanto ao prazo. Quando minha mãe perguntou qual era a SEFAZ que a TV estava retida informarem que era do aeroporto. Mas não disse em qual aeroporto. “Todo aeroporto tem uma  SEFAZ senhora”, foi a resposta. Sério?

Interessante é que, anteriormente, em uma das vezes que liguei e ainda não sabiam informar o que havia ocorrido, pedi que me dessem o número do código de rastreamento e a resposta foi: “senhora, código de rastreamento só existe para encomendas enviadas via correio. O aparelho de Tv é muito grande para ir por avião. Foi enviado por terra, então não tem código de rastreamento”. Como então foi parar na SEFAZ de um aeroporto, se vinha por terra?

Vocês devem estar se perguntando por que não aceitamos logo o reembolso. Por um motivo muito simples: a Tv foi comprada em novembro, em uma promoção, tanto no valor dela quanto do frete. Provavelmente o que pagamos em novembro não daria para comprar uma Tv igual agora.  Teríamos que recomeçar todo o processo de pesquisa de preços, loja por loja, site por site, ou seja,  ter todo o trabalho de novo por causa de um problema que não causamos e que, aparentemente, a Life’s Good não está muito empenhada em resolver, mesmo em se tratando de uma cliente de 89 anos. Mas quem disse que no Brasil a idade avançada merece respeito?

Tanto por e-mail quanto pelo telefone a desculpa agora era da SEFAZ, essa sequestradora de Tvs alheia e que não tinham como prever quando liberariam a nossa, mesmo depois do resgate pago, digo, da multa paga. E sempre dando prazos novos. E aí, de repente,  no dia 3 de agosto, não se fala mais em SEFAZ e recebemos um e-mail dizendo o seguinte: “Há poucos instantes conversei com o responsável pelo setor de liberação do produto e recebi a confirmação de que foi solicitada a liberação do aparelho no inicio desse mês, exatamente no dia 01/08/2017.  Levando em conta o prazo para autorização da liberação do aparelho, assim que disponível para rota, iremos direcioná-lo ao endereço de entrega. Por isso, provavelmente o produto será entregue no fim da próxima semana, ou no inicio da semana decorrente”. Ou seja, mais prazo, mais espera e uma pergunta que não quer calar: seria o e-mail e a nota fiscal recebidos em 07 de junho falsos? Alguém entrou na conta da LG e nos enviou esses e-mails? E os telefonemas e os outros e-mails que culpavam a SEFAZ sabe-se lá de que estado? Era tudo falso? Foram haqueados?  Enviei e-mail hoje perguntando isso e ainda não me responderam.

Enfim, hoje é 14 de agosto, oitenta e um dias “inúteis” se passaram desde que a Tv foi entregue na assistência técnica e, na verdade não temos uma explicação que seja realmente esclarecedora  ou uma informação precisa quanto ao real prazo de entrega de uma Tv que foi despachada por uma transportadora, por terra e, curiosamente, estava retida na SEFAZ de algum aeroporto, entre sei lá onde fica a fábrica de Tvs da Vida é Boa  e a casa da minha mãe e, de repente, não foi nada disso. A autorização só saiu dia 01 de agosto. Talvez nunca saibamos o que realmente aconteceu. Alguém errou, alguém fez besteira e a minha mãe que está pagando o pato. E estou vendo que, do jeito que nos estão enrolando, talvez tenha mesmo que entrar nas Pequenas Causas para receber a TV.

Na minha família, com certeza, ninguém nunca mais vai comprar um produto LG. E, esta história vai ser divulgada nas mídias, no boca a boca, da forma que for, cada vez que eu lembrar do mal que a LG está causando a minha mãe  que, com 89 anos e meio, hipertensa, com dificuldade de locomoção e cuja distração é assistir à TV.


A Vida é Boa? Com certeza. Mas, por ironia, não para quem compra um produto LG.