Cansadas de viverem sozinhas, de vez em quando as letras resolvem se misturar na cabeça de algumas pessoas e, juntas, formam palavras, que formam textos que, dependendo do momento e da imaginação de cada um, tornam-se contos, ensaios, críticas ou até mesmo incríveis historinhas infantis.
Daí, surgem misturas fantásticas para saciar a nossa fome de beleza e nos levar a um mundo encantado que só a nossa imaginação, unida à imaginação de quem escreve pode desvendar.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

PARA LEMBRAR, RELEMBRAR OU CONHECER: ATENTADO DO RIOCENTRO



O Rio Centro, o maior Centro de Convenções do Brasil e palco de grandes eventos nacionais e internacionais, protagonizou um evento fora do padrão, em 30 de abril de 1981, quando era conhecido como um pavilhão de exposições e eventos.

Era noite e o local estava lotado para a realização de um show em comemoração ao 1º de Maio, com previsão de reunir 20 mil pessoas.  Era o Show do Trabalhador, um evento anual que, na época, mobilizava o Rio de Janeiro e era transmitido ao vivo pela Tv Bandeirantes.  Inclusive, na internet, podem ser encontrados vários vídeos dos artistas que se apresentaram  naquela noite, como Beth Carvalho, Clara Nunes, Gal Costa, Gonzagão, Gonzaguinha, João Nogueira, entre outros.

Enquanto dentro do pavilhão o show acontecia, no estacionamento uma trama, que não deu certo, aguardava a hora para acontecer.

Por volta das 21 horas, enquanto Elba Ramalho cantava no palco a música “Banquete dos Signos”, um grande estrondo foi ouvido, vindo do lado de fora. Uma bomba havia explodido dentro de uma carro onde estavam dois militares, no estacionamento do Rio centro. O artefato, que seria instalado no edifício, explodiu antes da hora, matando o sargento Guilherme Pereira do Rosário e ferindo gravemente o então capitão Wilson Dias Machado.


Apesar da bomba ter explodido no colo do sargento e de haver outra dentro de um carro onde estavam dois militares, o governo culpou os radicais da esquerda. Esse era o real objetivo da colocação das bombas que, se houvessem explodido conforme o planejado, explodir uma bomba no palco e a outra na casa de força do pavilhão, teria provocado não apenas pânico e  desespero, mas também diversas mortes, inclusive de artistas, o que levaria a uma comoção geral da população.

Entretanto, já naquela época, essa hipótese não tinha sustentação. E, atualmente, essa versão de que seria um ato terrorista de esquerda foi totalmente descartada por depoimentos dados ao Ministério Público Federal, como parte da investigação feita pelo órgão. O atentado do Rio Centro foi uma tentativa do governo, principalmente do Centro de Informações do Exército -  CIE e do Serviço Nacional de Informações – SNI para convencer os setores mais moderados do governo de que era preciso retomar a repressão no país para enfrentar o terrorismo. Na verdade o que queriam era provocar supostos atos de terrorismo para dar um basta no processo de redemocratização do país que, lentamente, estava em andamento.

O plano incluía ainda uma segunda explosão na miniestação elétrica que fornecia energia ao Rio Centro. Mas, parece que o universo conspirava a favor da democracia naqueles idos de 1981 e a bomba, jogada por cima do muro, explodiu no pátio e a não chegou a afetar o fornecimento de energia.

Um dos depoimentos que confiram a farsa das bombas foi dado pelo delegado de polícia Cláudio Guerra que foi ao local no dia do atentado para efetuar prisões de pessoas que estariam falsamente ligadas ao s atentado.

Foram muitos os envolvidos no atentado: além dos militares que estavam no carro, havia ainda mais três generais. OS procuradores do MPF produziram 38 volumes de documentos e 36 horas de gravações de depoimentos de áudio e vídeo.

Os artistas cantavam, celebrando o 1º de Maio, trabalhadores e trabalhadores, homens, mulheres, jovens adolescentes, talvez até crianças, cantavam, dançavam e batiam palmas sem perceber que, lá fora, a morte os espreitava.  Sem saber que manter o poder era muito mais importante, para algumas pessoas, do que as suas vidas.

Vidas inocentes seriam sacrificadas em nome de uma mentira para prolongar a vida de uma ditadura agonizante.

Juntas, aquelas vinte mil pessoas acalentavam um sonho maior que toda aquela tenebrosa trama: o sonho da liberdade, de agir, de ter o direito de não concordar com as ações do governo e continuar vivo, de cantar músicas proibidas como Apesar de você ou Pra não dizer que Não falei de Flores e não ser preso.

Ao contrário do foi planejado, parar o processo de redemocratização no Brasil, esse episódio foi decisivo para a decadência do regime militar no Brasil. Quatro anos depois, ainda que através de eleições indiretas, voltávamos a ter um presidente civil no Brasil.

Deixo aqui os links de dois momentos do show daquela noite:



terça-feira, 26 de abril de 2016

O LINCHAMENTO

 Texto de Hugo Pereira do Amaral 




 "Não se luta contra bandidos utilizando atos de banditismo" (Vladimir Safatle).



 A luta política no Brasil, nestes três primeiros meses de 2016, se desenrola segundo um roteiro conhecido de sociedades dilaceradas por uma crise em grande medida artificial e que, às cegas, buscam uma solução pior do que a crise inicial, pois operada pela violência assassina de "todos contra um".

 Na história contemporânea, o mais horroroso (e demente) exemplo foi dado pela Alemanha nazista. O Judeu foi designado como a causa de todos os males, não somente da Alemanha  mas de toda humanidade. A imprensa escrita, a rádio, a editoração de livros e panfletos se coordenaram para dizimar, pela calúnia metódica e calculada, a comunidade judaica.

 Grandes manifestações, monitoradas por Hitler e seus comparsas, converteram-se em rituais periódicos de fusão de indivíduos em uma multidão unânime no seu ódio rancoroso ao Judeu.

Nessas multidões que se reuniam, periodicamente, em Nuremberg, e em quase todas cidades da Alemanha, encontravam-se, como em toda multidão, pessoas boas, porém incapazes de discernimento moral e político e, por mecânica imitação, atreladas à intoxicação geral.

Era também composta de indivíduos viciados na prática de desvios socialmente tolerados por serem habituais numa sociedade em decomposição, tais como caluniar, difamar ou emitir julgamentos definitivos sobre qualquer um ou qualquer coisa. Mas sempre, é claro, seguros de expressarem, em nível invejável, as grandes virtudes do povo alemão. Eram, digamos assim, assassinos virtuais que ainda se desconheciam.

Naturalmente, nessas multidões havia, como sempre, assassinos de rico e promissor prontuário policial. Todos, coisa estranha, consideravam-se puros, puríssimos: sujos eram os judeus, puros e honestos, somente eles. Assim pensava, dizia e gritava essa fina e presunçosa flor da humanidade. Mais tarde, converteriam-se em aplicados e diligentes genocidas com a colaboração silenciosa dos demais.

 Com efeito, tudo, absolutamente tudo, era mobilizado para a consecução desse objetivo ulterior —entrevisto, sussurrado, inconfessável — o extermínio de todos os judeus.

 Havia, entre os judeus, pessoas de grande valor moral, mas também, a exemplo de qualquer comunidade feita de pessoas reais e não imaginárias, pessoas desonestas e corruptas.

 Os meios de comunicação se afiaram na divulgação e no uso distorcido e perverso de qualquer comportamento condenável de qualquer judeu particular. O caso era divulgado, comentado, ampliado e, pouco a pouco, considerado desvio constitutivo de todo e qualquer Judeu. Toda a comunidade foi, num primeiro momento, criminalizada, para ser num momento posterior, exterminada. Considerava-se dito espirituoso, "inteligentíssimo", afirmar que "judeu bom, é judeu morto".

 Ouvi, recentemente, um vizinho desatinado dizer que "petista bom, é petista morto". Fiquei, num primeiro momento, estarrecido e indignado e, logo em seguida, lembrando-me do que foi o extermínio dos Judeus e de que estamos na Semana Santa em que se rememora a paixão e a morte Jesus, vale dizer, seu linchamento em Jerusalém, comecei a considerar, na seguinte perspectiva, a tragédia que vivemos nestes dias de março.

 Declaro de imediato que sou católico e se estivesse naquele tempo em Jerusalém teria, provavelmente, participado do linchamento de Jesus. Pedro, o grande São Pedro, sucessor designado por Jesus o negou não uma, mas três vezes. A maioria de seus discípulos desapareceu e a multidão enfurecida que participava desse assassinato estava convencida de que realizava uma justa e redentora ação. Eram açulados pelos, digamos assim, meios de comunicação daqueles tempos. Lideranças religiosas e políticas, os manjados arruaceiros e os maledicentes de sempre, propagadores de boatos infames.

 Não se tratava de judeus enquanto judeus, mas de uma multidão enlouquecida como qualquer multidão enfurecida. Os discípulos de Jesus faziam parte dessa multidão desatinada, e Jesus pediu ao Pai, chegando ao lugar em que seria crucificado, "perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".

 Com efeito, o mecanismo que desencadeia a busca assassina de um bode expiatório, para a resolução de crises numa sociedade, é tão antigo quanto a própria humanidade. A originalidade da mensagem de Jesus é, entre outras, denunciar o caráter fundamentalmente mentiroso desse mecanismo. E essa mentira só se revelou porque um ser radicalmente inocente se imolou para que a inocência de todos os bodes expiatórios fosse, finalmente, reconhecida.

 No entanto, alguns dirão: "esses petista são culpados". Na verdade, todos somos culpados e quem não for atire a primeira pedra. E foi, de certa forma, para contrapor-se à lógica do bode expiatório e da reiteração dos linchamentos que se constituíram as autoridades judiciárias. É por essa razão que não há corrupção maior e negação maior do judiciário do que o que ocorre hoje no Brasil: autoridades judiciárias se transformaram em fomentadoras do linchamento. Mais precisamente: do linchamento do Presidente Lula. Basta!


 Veja-se René Girard, O Bode Expiatório, Paulus, 2004.


 Belo Horizonte, 18 de março de 2016.


* Hugo Pereira do Amaral possui graduação em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais(1966), graduação em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais(1966), mestrado em Ciência Política pela Universite Catholique de Louvain(1969) e doutorado incompleto em Ciência Política  pela Universidade Católica de Louvain(1974).  Foi durante dois anos assistente no Departamento de Ciência Política da Universidade de Louvain.

Lecionou, por mais de trinta anos,  no Departamento de Filosofia da UFMG. Trabalhou no campo da filosofia política, da filosofia da linguagem e da hermenêutica filosófica.


Atualmente é Professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, Professor da Escola do Legislativo, Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Membro de corpo editorial da Síntese (Belo Horizonte). 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

RESPOSTA AOS SENADORES QUE VOTARÃO A FAVOR DO IMPEACHMENT


Da mesma forma que enviei carta aberta aos deputados federais, enviei aos senadores, acrescentando o seguinte parágrafo:

A maioria dos deputados desconsiderou a vontade do povo, desconsiderou a legalidade, desconsiderou o compromisso com a democracia, assumido na hora da posse.

Não votem apenas em nome de suas famílias ou de seus Estados. Votem em nome das famílias de todos os brasileiros, em nome de todos os Estados da Federação. Votem em nome dos brasileiros e brasileiras que lutam bravamente para terem seus direitos respeitados. Votem, não em nome de quem torturou, mas  em nome de quem foi torturado, que sofreu, que morreu, que desapareceu, para que os senhores pudessem ser eleitos, livremente e para que cada um possa expressar sua opção política sem ser preso ou sumir. Votem em nome das pessoas que estão nas ruas pedindo que a constituição seja respeitada. Defendam os Brasil senhores e não os interesses de alguns grupos. Não passem pela história. Façam a história. Uma história digna de ser lembrada, estudada, mencionada, daqui a muitos anos.

Senhores senadores, senhoras senadoras, como irão querer ser lembrados em um  futuro não muito distante, como heróis ou vilões ?  Nesse momento o voto é seu. Você decide por qual porta vai querer entrar para a história. Tomara que escolham entrar pela porta da frente.

Recebi resposta imediata de dois senadores, confirmando seu voto a favor do impeachment. Eis a resposta que enviei aos dois:


Senhor Senador

Lamento profundamente, senhor senador,  que o seu voto seja a favor de tirar do governo uma presidente eleita legitimamente pelo voto de 54 milhões de brasileiros.

Gostaria apenas de lembrar que o movimento de retirar Dilma da presidência teve início no mesmo dia em que saiu o resultado da eleição, ou seja, 26 de outubro de 2014. Portanto não foi porque o governo está inviabilizado ou por crime de responsabilidade fiscal que, aliás, não existe.

Foi essa decisão que paralisou o Brasil, que trouxe os problemas econômicos e que agora move esse processo de impeachment. O preço que está sendo pago pelo país para satisfazer a vontade de uma parcela da classe política, da grande mídia e de uma pequena parcela da população, está sendo muito alto. E nós, a maioria da população que não quer o impeachment é que, no final, pagará a conta.

A votação deste domingo, 17 de abril, só mostrou que a grande maioria dos brasileiros não está sendo representada na Câmara dos Deputados. O povo não quer o impeachment senador.  O povo quer escolher quem o governa no voto. O povo quer respeito ao seu voto. E o povo votou em Dilma.

Quem quer o impeachment é uma parcela do Congresso, elite econômica e uma pequena parcela da população que se limita a ler e a ouvir os que defendem a saída prematura da presidente.

Se o Governo Federal encontra-se travado e sem condições de administrar o País, a responsabilidade não deveria ser atribuída apenas à presidência, mas ao Congresso que tem engessado as pautas em nome dessa meta de tirar, a qualquer custo, Dilma da presidência.
O correto Senador, o justo, seria esperar que a presidente cumpra o seu mandato, é trabalhar para que sejam votados tudo o que ajude o País a caminhar. E deixar que, em 2018, o povo escolha quem quer que lhe governe.

Para finalizar, só uma pergunta: o senhor vai apoiar o impeachment dos 16 governadores que usaram o que os senhores chamam de “tentar contra às leis orçamentárias e de responsabilidade fiscal” ou, simplesmente “pedaladas fiscais”? O senhor pediria o impeachment de Fernando Henrique, que usou também desse recurso, durante sua gestão como presidente da República? Ou, por acaso, a lei não é para todos?

Senhor Senador, fique certo de uma coisa, a história fará a justiça que os senhores se recusam a fazer. Cedo ou tarde, a justiça se faz. Ainda que tempos depois e através dos livros de história.

Atenciosamente,

Rejane Menezes
Jornalista



sexta-feira, 8 de abril de 2016

PMDB: HAY GOBIERNO, SOY A FAVOR!

por  Frei Betto

    
Ei-lo: o Partido do Movimento Democrático Brasileiro à frente do poder legislativo brasileiro: o Senado (Renan Calheiros) e a Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha). Os dois, investigados pela  Lava-Jato! Nem na Roma antiga, republicana, tal fenômeno parecia possível. Em nome da divisão de poderes, as famílias nobres cultuavam a diversidade como antídoto ao absolutismo. Aqui não; a cobra fuma e engole a fumaça.

     O PMDB pulou fora do barco do governo e se joga nos braços da oposição. De fato, é um partido repartido em tendências inclusive antagônicas. Nele há de tudo, desde o testemunho ético de um Pedro Simon às recorrentes denúncias de corrupção que historicamente pesam sobre alguns de seus líderes. Ele pratica, mais que a democracia, a demoarquia, originária do verbo grego archein, que significa ser o primeiro, estar à frente, no sentido de comandar processos.

     Quem diria que o PT seria politicamente atropelado pelo trator do partido dirigido por aqueles que aprenderam a conjugar assim o verbo poder: eu posso, tu podes, ele pode; nós podemos, vós não podeis e eles não podem, a menos que rezem pela nossa cartilha e favoreçam nossos interesses corporativos. É a corporocracia.

     Ora, pra que debater a alternativa parlamentarista? Ou quem sabe estamos, sem nos dar conta, em plena monarquia! A família peemedebista se perpetua nas instâncias do poder com direito a conceder a correligionários e aliados cargos e prebendas.

     Haja o que houver, estamos em mãos do mais despudorado fisiologismo, cujos discursos sobrevoam eloquentemente as práticas do clientelismo e do compadrio. Se o mundo gira e a Lusitana roda, os governos se sucedem e o PMDB impera. Hay gobierno, soy a favor, grita a ala dos peemedebistas acostumada a mamar nas tetas da máquina pública...

     E o que tanto aspira este partido que jamais soçobra nas turvas águas da conjuntura? Como é possível contracenar com a ditadura e celebrar a democracia? Ora, basta dar a presidência do antigo partido de suposta oposição à ditadura, o MDB, ao presidente da Arena, José Sarney, partido de defesa da ditadura...

     O PMDB persegue uma só meta, um só objetivo, tem uma só ambição: o poder. Se muitos sucumbem às tentações do poder, do dinheiro e do sexo, a ala fisiologista do PMDB, se vivesse no Paraíso, não teria caído no conto da maçã, e sim tentado convencer Javé de que o mundo seria melhor tendo-a como braço direito.

            Coitado do doutor Ulysses! Conta Homero, na Odisseia, que Ulisses encontrou, na Ilha das Sereias, curiosas criaturas com cabeças e vozes de mulheres, mas com corpos de pássaros que, com doces canções, atraíam marinheiros ao encontro das rochas. Quando o barco se aproximou, uma calmaria se abateu sobre o mar, e a tripulação utilizou os remos. De acordo com as instruções de Circe, Ulisses tampou os ouvidos da tripulação com cera, enquanto ele próprio foi amarrado ao mastro, de modo que pudesse ouvir a canção e passar a salvo pelo perigo. "Aproxime-se Ulisses!", cantavam as sereias. Ulisses resistiu, mas quantos, a bordo do transgoverno chamado PMDB, são capazes de tampar os ouvidos ao canto das sereias?

     Narra ainda Homero que Penélope, fiel esposa de Ulisses, resistiu a todos os pretendentes, até que surgisse um homem capaz de atirar com o arco que Ulisses tendeu. Nenhum deles o conseguiu. Até o dia em que um mendigo pediu para atirar e, na mesma hora, Penélope reconheceu nele seu amado Ulisses.

     A democracia brasileira espera, como Penélope, o dia em que possa reconhecer sua plenitude na inclusão social daqueles que, hoje, se nos apresentam como maltrapilhos e oprimidos.

Frei Betto é escritor, autor do romance “Hotel Brasil” (Rocco), entre outros livros.


Copyright 2016 – FREI BETTO – Favor não divulgar este artigo sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual. – MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com) 
  http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
Você acaba de ler este artigo de Frei Betto e poderá receber todos os textos escritos por ele - em português, espanhol ou inglês - mediante assinatura anual via mhgpal@gmail.com


terça-feira, 29 de março de 2016

CARTA ABERTA AOS SENHORES DEPUTADOS FEDERAIS E SENADORES DO BRASIL


Cada um de nós é coautor da história da humanidade. Cada atitude que tomamos ou deixamos de tomar determina o rumo, não apenas de nossas vidas, mas, também da vida de outras pessoas. E, dependendo da função que exerçamos, do cargo que ocupemos, as decisões tomadas podem chegar a influenciar a vida de milhões de pessoas, para melhor ou para pior.

Para escrevermos a história de nossa vida, cada um escolhe as próprias tintas, pincéis e cores. E, para entrar na história que vai ser contada no boca a boca, nos livros ou nas mídias sociais, cada um escolhe a porta pela qual quer entrar, se pela porta da frente ou pela porta de trás. Carlos Lacerda, Hitler, Mussolini, entre outros, escolheram a porta dos fundos e hoje estão na história, é verdade, mas do lado ruim, do lado escuro, do lado que todos gostariam que nunca houvesse existido.

Assim vai ser para os que hoje insistem em tomar o poder a força, querendo derrubar um governo legitimamente eleito pela vontade do povo. Porque ninguém se iluda com o fato de, no Congresso Nacional e em uma parte privilegiada da população, essa parecer a vontade da maioria, porque não é. O povo que elegeu a presidente da República e que quer que ela cumpra seu mandato até o fim, é em número bem maior do que os que não querem. A diferença  não está sendo percebida claramente porque  essa maioria nem sempre  tem fácil acesso às mídias sociais, à internet ou  aos meios de comunicação em geral. E, necessariamente, não está sendo ouvida também nas pesquisas.  Entretanto essa maioria tem uma outra maneira para expressar a sua vontade : o voto.

Senhores deputados e senadores, não se trata de ser contra ou favor do PT. Não é isso que está em jogo hoje no País. Não se trata de expurgar a corrupção do poder, porque sabemos, igualmente, que isso não acontecerá, caso consigam tirar a presidente do governo.

Se trata, meus caros senhores, e todos vocês sabem muito bem disso, de ser contra ou a favor da democracia. De respeitar ou não a constituição e a vontade do povo.

Podem ter certeza que a escolha que cada um fizer é que vai determinar a porta pela qual entrará para a história. E, podem ter certeza, derrubem ou não o governo, daqui a alguns anos, Lula vai estar na história como o melhor presidente que o  Brasil já teve e vocês, se derrubarem um governo que o povo elegeu, usando, desculpem o trocadilho, “pedaladas políticas”, entrarão para a história como aqueles que feriram a democracia,  tão duramente conquistada, com o alto custo de vidas, sangue e imenso sofrimento.

Se os senhores seguirem em frente com essa guerra para derrubar a presidente do poder, consigam ou não o seu intento, daqui a alguns anos, podem ter certeza, ninguém se lembrará de seus nomes individualmente. Vocês serão lembrados como o pior Congresso que o Brasil já teve, que levou o País ao descrédito internacional, pois, a partir daí, quem garante que outros presidentes eleitos conseguirão levar seus mandatos até o fim?

Ainda há tempo dos senhores levarem em consideração duas coisas muito importantes: o valor do voto e a vontade da população. Da maioria da população, evidentemente.

 E então senhores deputados, senhores senadores, como irão querer ser lembrados em um  futuro não muito distante, como heróis ou vilões ?  Nesse momento o voto é seu. Você decide por qual porta vai querer entrar para a história.


quarta-feira, 23 de março de 2016

VERMELHO: QUE MEDO VOCÊS TÊM DE MIM???? OLHA AÍ ....

 A COR DO TERROR


Desde pequena que tenho uma cor preferida. Uma daquelas coisas que criança escolhe, descobre, sei lá, se apega e não se encontra explicação. Já nasci apaixonada pela cor vermelha. E, com certeza, quando nasci, não tinha opção política para associar cor à ideologia, por exemplo.

Eu sempre escolhia tudo vermelho, das minhas roupas às roupas das bonecas, tinha que ter vermelho. Não sei hoje, mas, quando estava noiva e fazendo enxoval, a gente escolhia a cor das roupas de cama e banho, para o dia do casamento. E, é claro que os lençóis e toalhas foram vermelhos. Os móveis da cozinha também, fogão, geladeira, mesa, armários, liquidificador, batedeira, tudo vermelho. No final dos anos setenta, as cores dos eletrodomésticos e armários eram bem variadas, talvez  para se contrapor ao branco que reinava sozinho há décadas. Essa moda durou alguns anos. Não sei quando, exatamente, o branco voltou e as cozinhas coloridas passaram a ser “cafonas”. Hoje, até chamar “cafona” é cafona. Já foi bokomoko, em algum momento.

Enfim, contei isso para dar a dimensão do vermelho em minha vida. Isso me veio à memória porque, ontem, li uma matéria falando sobre cinco agressões a mães, com bebês de colo, por causa da cor vermelha.  Fiquei tão impressionada com os depoimentos que não penso em outra coisa desde então. Lembrei que, quando minha primeira filha nasceu, a cor de tudo que ela usou no primeiro dia, foi, é claro, vermelho. E havia muitas peças no enxoval dela na cor vermelha. Então, se fosse hoje, eu e ela correríamos o risco de sermos agredidas na rua.
Fiquei me perguntando se isso está mesmo acontecendo. Não teria sido notícia falsa? Não consigo imaginar cinco mães inventarem essas histórias.  Houve casos em que a mãe estava com alguma roupa vermelha. Mas, houve dois casos ainda mais inacreditáveis: em um, o bebê estava com uma roupinha vermelha da Minnie e, em outra, a mãe usava um Wrap dryfit, também conhecido como “canguru” , para carregar o bebê. Teve agressão na rua, em
restaurante e até no trânsito ( conferir matéria: http://outraspalavras.net/alceucastilho/2016/03/21/ja-sao-tres-os-casos-de-maes-com-bebe-agredidas-por-uso-de-vermelho/) *


O ódio que toma conta de uma parte dos brasileiros está se tornando cada vez mais perigoso. Agressões como essas acima a pessoas que não apoiam o impeachment têm acontecido a toda hora. Algumas se tornam conhecidas por serem com gente famosa, como a que sofreu Chico Buarque, ao sair de um restaurante. Mas, agressão a crianças, é algo muito, muito grave e assustador. Em um dos casos jogaram pedra, à altura da cabeça da criança. Em outro ameaçaram atirar na mãe e no bebê, por causa da cor vermelha.

Minha gente, está na hora das pessoas pararem e revisarem o seu comportamento absurdo, agressivo e criminoso. Ainda vivemos em uma democracia e, pelo que eu saiba, não existe proibição de uso de qualquer cor, em nenhuma parte da Constituição Brasileira. Se bem que, citar a constituição nem vale mais a pena, já que, também ela, vem sendo desrespeitada ultimamente.

PAREM com tanto ódio. PAREM com tanto desrespeito. Nem usar vermelho significa que a pessoa apoia o governo, o PT ou Lula e, muito menos, apoiá-los é crime. Crime é agredir alguém pela cor que usa, pelas causas que apoia, pela opção de gênero, por estar do lado dos mais pobres, pela religião que abraçou.

CRIME é impedir, pela ameaça e pela agressividade, que as pessoas expressem as suas opções. CRIME é fechar os olhos à miséria, à pobreza, à injustiça social. CRIME é impedir que as pessoas mais pobres também tenham os mesmos direitos que os mais abastados.

Se o ódio que vivenciamos hoje fosse na época em que casei, provavelmente eu não teria comprado os móveis e eletrodomésticos da cozinha na cor vermelha, porque as lojas já teriam sido atacadas por venderem produtos nessa cor e, provavelmente, proibidas de repor o estoque. E, se caso houvesse comprado antes da onda de terror se espalhar, minha casa seria apedrejada por ter tanto vermelho na cozinha. Talvez pichassem o muro com “vai pra Cuba”, “Petralha” e coisas afins. Mas não, eram outros tempos. Tempos em que se o presidente da República fosse chamado de “feio”, provavelmente algumas dezenas de suspeitos seriam presos, torturados e, o “culpado”, não voltaria para casa. Eram tempos onde o vermelho era derramado por muitos, nas salas de tortura, para que, no futuro, a presidenta da República fosse chamada de “quenga” e, as pessoas que carregavam a faixa onde isso estava escrito pudessem voltar para casa, tranquilamente, sem serem incomodadas.

Eram tempos onde até pensar era perigoso. Tudo era proibido, tudo era subversivo, tudo era terrorismo, se fosse contra o governo. Ao contrário de hoje, onde, ser a favor do governo é que é proibido.

O sangue que escorreu das veias esgotadas de tantos maus tratos, pintou as cores da democracia neste País. Os corpos que nunca foram encontrados forjou a liberdade de expressão e o direito de ser contra o governo e continuar a andar e a se expressar  sem perigo de desaparecer.

O jogo se inverteu. Perigoso hoje é apoiar o governo. Não é possível que tanto sofrimento, tanta dor, tanto sangue derramado tenha garantido apenas três décadas de democracia. Não é possível que a própria democracia seja a responsável por sua morte. NÃO! Democracia não é para isso. Democracia é para saber que o meu limite termina onde começa o do outro. Democracia é para respeitar as diferenças, em todos os sentidos. Democracia é para governar para todos, para todas, não importa classe social, cor, religião ou gênero. Democracia é para valorizar a vida. A VIDA DE TODOS. E não penas de quem tem dinheiro ou poder.

Da próxima vez que você vir alguém, seja adulto ou criança, com alguma roupa vermelha, lembre-se você deve a essa cor, a cor do sangue, o direito de estar nas ruas gritando e protestando, chamando a quem quer de ladrão e voltando pra casa vivo.
Mais respeito minha gente. Basta isso. Mais respeito...

* Sobre o autor do blog Alceu Luís Castilho

Alceu Luís Castilho é jornalista desde 1994, formado pela Universidade de São Paulo (USP). Entre 1994 e 2001, trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo. Em 1999, venceu o prêmio Fiat Allis de Jornalismo Econômico. Foi fundador e editor-executivo da Agência Repórter Social, pela qual obteve o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo e o Prêmio Andifes. É também Jornalista Amigo da Criança, título oferecido pela Agência de Notícias de Direitos da Infância (Andi) em 2007.

domingo, 14 de junho de 2015

PODE SER CRIME ALGO QUE NÃO EXISTE?

Sou cristã por opção, por convicção. Por isso, me sinto a vontade para falar sobre uma nova modinha que chegou às redes brasileiras. Nestes últimos dias algumas postagens do Facebook têm me deixado pasma. Como algumas pessoas podem estar levando a sério e apoiando e compartilhando o absurdo e ridículo questionamento: Homofobia  é crime. Cristofobia não?

Toda vez que alguma coisa desse tipo entra no ar o bom senso treme,  a inteligência pede socorro, os Direitos Humanos se deseperam e a Constituição chora.

Bem, em minha opinião, o que deveria  ser crime é imbecilidade. Porque isso, pelo menos, existe. Já cristofobia não existe nem no imaginário.

Vejamos primeiro: O que é homofobia?

Homofobia significa aversão irreprimível, repugnância, medo, ódio, preconceito que algumas pessoas, ou grupos nutrem contra os homossexuais, bissexuais e transexuais. (sic).
Muitas vezes aqueles que guardam estes sentimentos não  definiram completamente sua identidade sexual, gerando dúvidas e revolta, que são transferidas para aqueles que já definiram suas preferências sexuais. Etimologicamente, a palavra "homofobia" é composta por dois termos distintos: homo, o prefixo de homossexual; e o grego phobos, que significa "medo", "aversão" ou "fobia". O indivíduo que pratica a homofobia é chamado de homofóbico. (Fonte: http://www.significados.com.br/)

E o que é cristofobia? Bem, de acordo com o www.dicionarioinformal.com seria “ ter aversão ao cristianismo ou aos cristãos. Repudiar os evangelhos”. Ok.

E agora vamos ao mundo real. Homossexuais são discriminados, humilhados, ridicularizados, rejeitados em empregos, tratados com violência, repudiados por amigos e familiares, algumas vezes vistos como criminosos e pessoas das quais as “pessoas de bem” não devem se aproximar. Outras vezes são obrigados a esconder sua homossexualidade para não serem tratados com escárnio ou despedidos de seus empregos. Não todos, é claro, e nem sempre. Porque, afinal de contas, no Brasil existem muitas pessoas de bom senso, que não discriminam as pessoas por puro preconceito.

Mas, certa vez, presenciei uma pessoa do sexo masculino contando que havia passado um sufoco medonho na praia porque, segundo ele, um gay que chegou com um amigo dele havia sentado na cadeira de junto  e ficava puxando conversa com ele. E a sua grande preocupação era que as pessoas ao redor pensassem que ele também era gay. Na ocasião eu não sabia se sentia pena da idiotice do cara ou raiva por seu preconceito.

E aquele caso de pai e filho que estavam andando em um shopping de mãos dadas e foram agredidos fisicamente por pessoas intolerantes que acharam que eles eram um casal homossexual?

E, os cristãos? Que tipo de discriminação sofrem aqui no Brasil, um país onde a grande maioria é de cristãos? Você conhece alguém que já deixou de ser admitido em um emprego por ser cristão?  Que foi ridicularizado, desrespeitado, humilhado ou que apanhou por ser cristão?

Quando há um caso de falta de respeito  ou intolerância a valores religiosos, é sempre de um cristão em relação à alguma denominação diferente da sua, como o caso de evangélicos quebrarem imagens de Nossa SenhorPODE SER CRIME ALGO QUE NÃO EXISTE?
Sou cristã por opção, por convicção. Por isso, me sinto a vontade para falar sobre uma nova modinha que chegou às redes brasileiras. Nestes últimos dias algumas postagens do Facebook têm me deixado pasma. Como algumas pessoas podem estar levando a sério e apoiando e compartilhando o absurdo e ridículo questionamento: Homofobia  é crime. Cristofobia não?

Toda vez que alguma coisa desse tipo entra no ar o bom senso treme,  a inteligência pede socorro, os Direitos Humanos se deseperam e a Constituição chora.
Bem, em minha opinião, o que deveria  ser crime é imbecilidade. Porque isso, pelo menos, existe. Já cristofobia não existe nem no imaginário.

Vejamos primeiro: O que é homofobia?

Homofobia significa aversão irreprimível, repugnância, medo, ódio, preconceito que algumas pessoas, ou grupos nutrem contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais.
Muitas vezes aqueles que guardam estes sentimentos não  definiram completamente sua identidade sexual, gerando dúvidas e revolta, que são transferidas para aqueles que já definiram suas preferências sexuais. Etimologicamente, a palavra "homofobia" é composta por dois termos distintos: homo, o prefixo de homossexual; e o grego phobos, que significa "medo", "aversão" ou "fobia". O indivíduo que pratica a homofobia é chamado de homofóbico. (Fonte: http://www.significados.com.br/)

E o que é cristofobia? Bem, de acordo com o www.dicionarioinformal.com seria “ ter aversão ao cristianismo ou aos cristãos. Repudiar os evangelhos”. Ok.

E agora vamos ao mundo real. Homossexuais são discriminados, humilhados, ridicularizados, rejeitados em empregos, tratados com violência, repudiados por amigos e familiares, muitas vezes vistos como criminosos e pessoas das quais as “pessoas de bem” não devem se aproximar. Outras vezes são obrigados a esconder sua homossexualidade para não serem tratados com escárnio ou despedidos de seus empregos. Não todos, é claro, e nem sempre. Porque, afinal de contas, no Brasil existem muitas pessoas de bom senso, que não discriminam as pessoas por puro preconceito.

Mas, certa vez, presenciei uma pessoa do sexo masculino contando que havia passado um sufoco medonho na praia porque, segundo ele, um gay que chegou com um amigo dele havia sentado na cadeira de junto  e ficava puxando conversa com ele. E a sua grande preocupação era que as pessoas ao redor pensassem que ele também era gay. Na ocasião eu não sabia se sentia pena da idiotice do cara ou raiva por seu preconceito.
E aquele caso de pai e filho que estavam andando em um shopping de mãos dadas e foram agredidos fisicamente por pessoas intolerantes que acharam que eles eram um casal homossexual?

E os cristãos? Que tipo de discriminação sofrem aqui no Brasil, um país onde, segundo dados do 2012 do IBGE,  86,8 % da população é de cristãos? Você conhece alguém que já deixou de ser admitido em um emprego, que foi ridicularizado, desrespeitado, humilhado ou que apanhou por ser cristão?

Quando há um caso de falta de respeito  ou intolerância a valores religiosos, é sempre de um cristão em relação à alguma denominação diferente da sua, como o caso de evangélicos quebrarem imagens de Nossa Senhora, em uma falta de respeito aos símbolos da Igreja Católica. E, aqui, não questiono se certos símbolos são ou não válidos. Questiono a falta de respeito entre os próprios cristãos. Várias denominações cristãs disputam, entre si, qual a que realmente é a certa, é a que salva e por aí vai. Se, por acaso essa tal de cristofobia existisse, seria entre os próprios cristãos. Que incoerência hein?

Toda uma polêmica começada porque uma pessoa desfilou na parada LGBT crucificada. Onde está a aversão ao cristianismo? Segundo a crença cristã, somos todos filhos de Deus e, portanto, irmãos de Jesus Cristo. Então por que só Neymar tem direito de aparecer em capa de revista crucificado? Tenham dó. Abram a mente, analisem o que ocorreu na , friamente, sem deixar se influenciar por pensamentos retrógados, que vão de encontro a própria doutrina do cristianismo que manda “amar ao próximo como a si mesmo”. Por que a revista não foi alvo dessa maldita “ira santa”? Por que ao futebol tudo de bom e aos homossexuais o ódio?
A crucificação na parada LGBT quis mostrar todo o sofrimento, físico e emocional, pelo qual passam os homossexuais. A prova disso é essa nova onda da qual estou falando.

E assim as coisas vão acontecendo dentro de várias igrejas cristãs que gritam contra o aborto, mas apoiam a pena de morte e a diminuição da maioridade penal. Perseguem os homossexuais mas iludem seus fiéis vendendo produtos que prometem o que não podem cumprir. Isso não sou eu que imagino, mas os vídeos postados intenert afora que comprovam.

Antes de fazer parte do cristianismo, judaismo, islamismo, candoblé, budismo, espiritismo, ou de qualquer religião ou de filosofia de vida, somos todos seres humanos, pensantes, com sentimentos e uma tendência para fazer o bem. Deixemos que essa tendência ganhe força e nos mostre o outro lado da tolerância e do entendimento das diversas formas de amar.
Homossexualismo não é doença, não é contagioso, não é falha de caráter, não causa vergonha e, quando assumido em sua plenitude, tem como efeito colateral a realização pessoal e alegria de viver.

Ultrajante é a fome. Indignante é a miséria. Revoltante é a violência. Enojante é a corrupção. Contagiosa é a omissão.

É para essas coisas que a nossa intolerância e nossa revolta devem ser direcionadas. É assim que seres humanos têm que agir e pensar. Sobretudo e principalmente, se se dizem cristãos. Se for diferente, é hora de rever os conceitos. E, provavelmente a própria fé.
 a, em uma falta de respeito aos símbolos da Igreja Católica. E, aqui, não questiono se certos símbolos são ou não válidos. Questiono a falta de respeito entre os próprios cristãos. Várias denominações cristãs disputam, entre si, qual a que realmente é a certa, é a que salva e por aí vai. Se, por acaso essa tal de cristofobia existisse, seria entre os próprios cristãos. Que incoerência hein?

Toda uma polêmica começada porque uma pessoa desfilou na parada LGBT crucificada. Onde está a aversão ao cristianismo? Segundo a crença cristã, somos todos filhos de Deus e, portanto, irmãos de Jesus Cristo. Então por que só Neymar tem direito de aparecer na capa da revista crucificado? Tenham dó. Abram a mente, analisem o que ocorreu na parada friamente, sem deixar se influenciar por pensamentos retrógados, que vão de encontro a própria doutrina do cristianismo que manda “amar ao próximo como a si mesmo”. Por que a revista não foi alvo dessa maldita “ira santa”? Por que ao futebol tudo de bom e aos homossexuais o ódio?

A crucificação na parada LGBT quis mostrar todo o sofrimento, físicos e emocional, pelo qual passam os homossexuais. A prova disso é essa nova onda da qual estou falando.
E assim as coisas vão acontecendo dentro de várias igrejas cristãs que gritam contra o aborto, mas apoiam a pena de morte e a diminuição da maioridade penal. Perseguem os homossexuais mas iludem seus fiéis vendendo produtos que prometem o que não podem cumprir. Isso não sou eu que imagino, mas os vídeos postados intenert afora que comprovam.

Antes de fazer parte do cristianismo, judaismo, islamismo, candoblé, budismo, espiritismo, ou de qualquer religião ou de filosofia de vida, somos todos seres humanos, pensantes, com sentimentos e uma tendência para fazer o bem. Deixemos que essa tendência ganhe força e nos mostre o outro lado da tolerância e do entendimento das diversas formas de amar.
Homossexualismo não é doença, não é contagioso, não é falha de caráter, não causa vergonha e, quando assumido em sua plenitude, tem como efeito colateral a realização pessoal e alegria de viver.

Ultrajante é a fome. Indignante é a miséria. Revoltante é a violência. Enojante é a corrupção. Contagiosa é a omissão.

É para essas coisas que a nossa intolerância e nossa revolta devem ser direcionadas. É assim que seres humanos têm que agir e pensar. Sobretudo e principalmente, se se dizem cristãos. Se for diferente, é hora de rever os conceitos. E, provavelmente a própria fé.