Foi apresentado, esta semana, o resultado sobre uma nova pesquisa relacionada ao IDH, aquele índice mundial que mede a qualidade de vida nos países.
Se, por um lado, estamos no 84º em relação à qualidade de vida, no que se refere a estar feliz com a sua vida, estamos bem melhor posicionados.
E, isso intriga quem não é brasileiro. Como pode, em um país onde a qualidade de vida tem ainda um longo caminho a percorrer, as pessoas se dizerem feliz?
De onde vem toda essa alegria, essa animação? De onde vem esse orgulho, esse sentimento nativista, que cada brasileiro carrega? Sentimento que nem os anos de chumbo da ditadura, por mais que tentassem, não conseguiram dizimar?
O brasileiro é alegre por natureza e isso é muito claro nas roupas que veste, nas músicas que canta, nas oportunidades que cria.
O sentimento de amor à pátria vem de longe, e, acompanha o brasileiro onde quer que vá, levando-o até a escrever poemas como “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”, de Gonçalves Dias. Ou, inspirar Chico Buarque na belíssima “Sabiá”: ”Vou voltar, sei que ainda vou voltar, e é pra ficar, sei que o amor existe, eu não sou mais triste, e a nova vida já vai chegar, e a solidão vai se acabar...
Como explicar para quem não nasceu aqui o encanto que é morar em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza? Como entender que o mulato inzoneiro é a terra de Nosso senhor, com fontes murmurantes aonde a lua vem brincar?
Durante o período da ditadura militar, um sentimento de muita vergonha pelo que estava sendo feito, pelas torturas, pelas prisões, pelas mortes, invadia os nossos corações. Mas, por outro lado, havia um sentimento de amor que falava mais alto e dizia que deveríamos lutar para resgatar o nosso país.
E, durante este período, para os que viviam no exílio, forçado ou opcional, ardia no peito a saudade da pátria amada, “Fonte de mel, bicho triste, pátria minha, Amada, idolatrada, salve, salve! Que mais doce esperança acorrentada, o não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!”, dizia Vinícius, em seu belíssimo poema Pátria Minha.
De “pátria minha tão pobrinha”, cantada no poema, ao Brasil credor do FMI, um longo caminho foi percorrido.
E, há muito mais a percorrer. Há uma porção de degraus ainda a subir na construção de uma melhor qualidade de vida.
Cantada em verso, prosa e samba, a nossa Pátria Amada caminha, de cabeça erguida, rumo ao futuro, sob o céu azul de anil, rodeado pelo verde das matas e o amarelo do sol forte, que esquenta o nosso sangue e nossos corações.
Muito já falou a respeito dessa alegria do povo brasileiro, chegando, inclusive, a sermos chamados de povo alienado.
Mas, esta última pesquisa revela também que somos um dos povos mais preocupados com a preservação do meio ambiente.
Muitas pesquisas ainda vão chegar até que estejamos lá no topo dos índices do IDH.
Mas, a nossa energia, essa não passa e nos mantém com os maios altos índices de alegria do planeta.
Cansadas de viverem sozinhas, de vez em quando as letras resolvem se misturar na cabeça de algumas pessoas e, juntas, formam palavras, que formam textos que, dependendo do momento e da imaginação de cada um, tornam-se contos, ensaios, críticas ou até mesmo incríveis historinhas infantis.
Daí, surgem misturas fantásticas para saciar a nossa fome de beleza e nos levar a um mundo encantado que só a nossa imaginação, unida à imaginação de quem escreve pode desvendar.
domingo, 6 de novembro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
NA MORADA DAS PALAVRAS
Ler é uma prática que provoca as mais diversas reações. Enquanto para uns é um verdadeiro prazer, um deleite, para outros é algo tão ruim que o mais fino dos livros se torna uma enciclopédia de 500 volumes.
Eu, particularmente, adoro ler. Comecei ainda muito cedo, quando, alfabetizada, devora os livros de história que ganhava de presente ou herdava de minha irmã mais velha.
Cresci em uma casa onde meus pais gostavam de suas coisas que considero essenciais em minha vida: música e leitura.
Na pré-adolescência, li até as famosas e bregas fotonovelas.
Na escola, além dos livros obrigatórios da literatura brasileira, era freqüentadora assídua da biblioteca, de onde sempre estava retirando livros.
Estou relendo, com muito prazer, “Na Morada das Palavras”, de Rubem Braga, de quem sou fã há muito tempo. Desde o dia que minha filha mais velha chegou em casa e leu, entusiasmadamente para mim, a crônica O PADEIRO, que havia recebido na escola, na aula de literatura.
Este texto, até hoje, figura entre os meus preferidos. Sou meio inclinada a gostar de textos que nos levem a repensar nossos conceitos, sobretudo quando, como em “O Padeiro”, recebemos uma lição de serena humildade.
Falecido há mais de 20 anos (1990), Rubem Braga nos deixou crônicas belas e, ao mesmo tempo profundas.
Na Morada das Palavras vamos nos envolvendo, a cada página, com um universo de alegrias, tristezas e encantamento, que deixa uma gostinho de “quero mais”, a cada final.
Leitura é isso: um passeio por um universo que, pode até ser bem diferente do nosso, mas do qual vamos conseguir formar imagens, construindo cada detalhe em nossa imaginação.
Certa vez, quando minha filha do meio tinha uns dez, doze anos, estava lendo um livro e uma colega perguntou se era passado pela escola. Daí a amiga bem espantada, perguntou: “você está lendo de propósito?”
Pois é, talvez, exatamente por não estar acostumada a “ler de propósito”, a coleguinha de minha filha não soubesse empregar bem as palavras de sua própria língua. Saberá hoje?
Minhas três filhas também cresceram em meio à música e aos livros. Meu marido também gosta das duas coisas.
Somos, portanto, uma família musical, que curte da música clássica ao heavy metal, passando pela bossa nova, MPB e Rock mais leve, como os Beatles.
Estes são alguns dos pequenos prazeres da vida, que, ainda que simples, transformam em agradáveis momento que poderiam ser o mais puro tédio.
domingo, 9 de outubro de 2011
MEMÓRIAS DE UMA TESTEMUNHA OCULAR
No sábado, 1º de outubro, tive um grande dia. Sabe um daqueles dias em que tudo é bom? Comecei o sábado revendo três queridas amigas – Leda, Goretti e Jovem – e, juntas, fomos assistir a uma palestra de outro querido amigo, Leonardo Boff. E, reencontrei Márcia, amiga também muito querida há quem não via há bastante tempo.
Reencontrar quem se gosta é sempre muito muito gostoso. A palestra, como não poderia deixar de ser, foi maravilhosa. Rever Leonardo e Márcia é sempre uma grande alegria.
À noite, fomos ao lançamento do livro de Pe. Marcelo Barros – Dom Helder – Profeta para os nossos dias – uma releitura do livro lançado há 08 anos. Eu e Marcelo nos conhecemos há muitos anos, quando eu fazia parte do grupo SOS, um grupo de jovens e adolescentes que se reunia no Colégio Salesiano, tendo como orientador o saudoso Pe. Ivan Teófiço. À época, Marcelo era o responsável pela Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Olinda e Recife e Dom Helder Câmara era o arcebispo. O reencontro foi muito gostoso, conversamos bastante e nos prometemos nos ver com mais frequência.
E, foi exatamente por causa do livro de Marcelo que me veio à memória momentos privilegiados em que pude presenciar grandes encontros ou reencontros.
O ano foi 1999, onde pude presenciar estes momentos de rara beleza e emoção. Começo pelo mês de janeiro. Eu tive, e aqui repito a palavra, o privilégio, de fazer parte da comissão que estava organizando a comemoração dos 90 anos de Dom Helder. Estávamos organizando um vídeo, com depoimentos que vinham de todas as partes do mundo. E também gravávamos vários aqui mesmo. E, foi por causa de uma dessas gravações que vivi dois momentos únicos. O primeiro foi ter a alegria de conhecer, pessoalmente, Leonardo Boff e Márcia Miranda. Quem não conhece a sensação de apertar a mão de alguém que se admira muito, há muito tempo? E, o segundo momento, que guardo até hoje na memória, com detalhes, foi presenciar o reencontro de Leonardo Boff com Dom Helder. Vocês não podem avaliar a emoção de ver Leonardo ajoelhar-se diante de seu mestre e pedir-lhe a bênção. Confesso que as lágrimas escorriam de emoção. Dom Helder, afagou a cabeça de Leonardo e fez um gesto para que se levantasse. E ficaram ali, conversando baixinho, como a trocar memórias e confidências. Para mim era o encontro de dois mestres, dois titãs, de podemos chamar assim, da teologia e da vida cristã, se encontrando e me permitindo presenciar o momento.
Em 16 de julho participei de um reencontro diferente, articulado por mim e por Frei Betto: Chico Buarque de Dom Helder. Foi mais um daqueles momentos únicos na vida da gente. Registrado em vídeo e fotos, é uma daquelas ocasiões em que a gente fecha os olhos e revive cada segundo. Como poderei esquecer Chico cantando a Banda e Dom Helder acompanhando com as mãos? Foi o momento para qual escrevi um texto chamado “O Encontro dos Dons”, que se encontra publicado no site de Chico.
E, no comecinho do mês de agosto, novamente sou testemunha de grandes reencontros. Quando da realização da II Jornada Teológica Dom Helder Camara, tivemos a abençoada ideia de levar os palestrantes para visitar Dom Helder. Parecia que adivinhamos que, dali a duas semanas, o Dom partiria e, aquelas pessoas que levamos para vê-lo, teriam a sua derradeira oportunidade de estar com ele.
E, novamente, presencio o reencontro de Leonardo Boff e também de Dom Gílio Felício, então bispo auxiliar de Salvador, com Dom Helder, tendo ainda o bônus de participar de uma pequena e simples celebração eucarística, tendo como celebrantes o próprio Dom, Dom Gílio e Pe. João Pubben.
No dia seguinte, volto à casa de Dom Helder, para acompanhar Dom Waldyr Calheiros, então bispo de Volta Redonda, companheiro de tantas lutas de Dom Helder. Alegre e cheio de energia, Dom Waldyr não escondia sua alegria em rever o amigo.
No dia seguinte, encontro meu querido amigo Marcelo Barros, sentado na pequena escada da igrejinha das Fronteiras, para o encontro do com o Dom. Este encontro deu origem ao livro relançado por Marcelo e que me despertou estas memórias. O interessante é que, embora já um tanto ausente, em cada encontro destes, Dom Helder se mostrou presente, fazendo comentários que impressionaram os que o visitaram. A Marcelo ele disse:”Não deixe cair a profecia”, reconhecendo o discípulo e lhe pedindo para levar adiante a semeadura da Palavra. Marcelo descreve o encontro, em seu livro, com tanta propriedade, que me remeteu àquele momento e me fez agradecer novamente a Deus a oportunidade de vivê-los.
E, na sexta-feira, foi a vez de acompanhar Frei Betto no reencontro com seu grande mentor e responsável pela descoberta de sua vocação. Outro reencontro emocionantes, envolto em momentos de ternura, carinho e devoção. A Frei Betto o Dom perguntou pela saúde do “sobrinho” Dom Paulo Evaristo, que estava com um grave problema de saúde, demonstrando que embora não parecesse, ele estava atento.
Foram momentos incomensuráveis, daqueles que a gente nunca vai esquecer e que jamais se repetirão. São memória guardadas com muito cuidado, muito carinho, em uma gaveta especial da memória, onde a gente coloca saches perfumados imaginários, para que permaneçam sempre frescas e vivas. E ainda colocamos uma etiqueta com letras garrafais: PARA LEMBRAR SEMPRE.
Hoje, 12 anos depois, quando todas estas memórias saíram da sua gavetinha e povoaram vividamente minhas lembranças, conversando com meu marido, que esteve presente a todos estes momentos, foi que concluí o quanto sou privilegiada por ter tido estas oportunidades. Em alguns destes momentos havia outras pessoas presentes. Mas eu estive em todos eles, como testemunha silenciosa, que apenas valorizava e saboreava a oportunidade que lhe caia nas mãos.
Se, para cada um deles, o derradeiro reencontro com o Dom foi da maior importância, para mim, foi um presente. Um presente que nunca vai acabar e o qual posso rever, curtir, reviver, sempre que quiser. É só abrir a minha pequena e especial gavetinha.
domingo, 25 de setembro de 2011
DIA DO CLIENTE
No dia 15 de setembro, é comemorado o DIA DO CLIENTE, concebido, segundo os fornecedores de uma maneira geral, para que mostrem ao cliente o quanto eles são importantes para eles. Um dia, por exemplo, para distribuição de brindes, promoções, campanhas publicitárias, campanhas de vendas decorações especiais, anúncios e eventos e tudo mais que puder ser feito para reverenciar a figura do Cliente.
É claro que não tenho nada contra esta comemoração. Afinal, nós, os clientes, somos a razão de ser de qualquer tipo de serviço: do financeiro ao comercial, do setor de saúde ao industrial. Sem esquecer dos serviços de reparos e manutenção.
Penso que um dia dedicado a nós, os clientes ou consumidores, poderia nos oferecer um pouco mais. Por exemplo, poderia nos oferecer um maior esclarecimento na venda de alguns produtos, o fim da chamada propaganda enganosa ou um atendimento mais adequado, quando ligamos para algum tipo de suporte.
Navegando na internet, no Dia do Cliente, li uma matéria muito interessante no portal da UOL: “dez produtos que você deve parar de comprar”. Ela fala sobre aqueles produtos que adquirimos porque nos prometem algo a mais, uma proteção mais duradoura ou maior segurança. É o caso, por exemplo, do filtro solar com fator acima de 30. O FPS 15 bloqueia até 96% dos raios ultravioleta e o de 30, até 98%. Os produtos com FPS mais alto são mais caros, mas oferecem proteção, no máximo, de 99%. Desta forma, pagamos mais caro por 1% a mais de proteção que, convenhamos, não fará nenhuma diferença, a não ser pesar mais em nosso bolso.
A matéria fala de outros produtos que adquirimos pagando mais caro e que, no final, não compensa o valor pago a mais, como garantias estendidas que, além de terem o uso baixíssimo, quando acionadas estão recheadas de restrições. Ou então o tal do seguro do cartão de crédito. É verdade que R$3,00 ou R$ 4,00 por mês pode não ser grande coisa, mas, é um gasto desnecessário uma vez, pagando seguro ou não, ao termos o nosso cartão roubado, se ligarmos para operadora e bloquearmos, a partir de então, não temos mais responsabilidade pelas compras que sejam efetuadas.
Outro engodo que deve ser evitado é a compra de produtos piratas. Além de ser uma prática ilegal, a economia que se pensa estar fazendo ao comprar estes produtos, também não compensa. Para começar, sendo de qualidade é inferior, obviamente irá durar bem menos do que o produto original. Mas existe algo ainda mais grave que são os riscos à saúde que podem oferecer, como é o caso dos sapatos tênis, que causam danos aos pés, dos óculos que prejudicam a retina, das baterias de celular que podem explodir e causar queimaduras ou dos brinquedos que, ao se quebrar, podem se transformar em peças pontiagudas, ferindo as crianças.
As operadoras de telefonia celular, por exemplo, podiam ter mais atenção com seus clientes, não os deixando esperar uma infinidade de tempo para ser atendido, passando de um para outro atendente como se fosse uma brincadeira de mau gosto.
Portanto no dia dedicado ao Cliente, vamos aceitar as homenagens nos oferecidas mas, também, vamos pensar um pouco mais na hora de exercemos esta função, preservando não apenas o nosso bolos mas, algo mais importante, a nossa saúde.
É claro que não tenho nada contra esta comemoração. Afinal, nós, os clientes, somos a razão de ser de qualquer tipo de serviço: do financeiro ao comercial, do setor de saúde ao industrial. Sem esquecer dos serviços de reparos e manutenção.
Penso que um dia dedicado a nós, os clientes ou consumidores, poderia nos oferecer um pouco mais. Por exemplo, poderia nos oferecer um maior esclarecimento na venda de alguns produtos, o fim da chamada propaganda enganosa ou um atendimento mais adequado, quando ligamos para algum tipo de suporte.
Navegando na internet, no Dia do Cliente, li uma matéria muito interessante no portal da UOL: “dez produtos que você deve parar de comprar”. Ela fala sobre aqueles produtos que adquirimos porque nos prometem algo a mais, uma proteção mais duradoura ou maior segurança. É o caso, por exemplo, do filtro solar com fator acima de 30. O FPS 15 bloqueia até 96% dos raios ultravioleta e o de 30, até 98%. Os produtos com FPS mais alto são mais caros, mas oferecem proteção, no máximo, de 99%. Desta forma, pagamos mais caro por 1% a mais de proteção que, convenhamos, não fará nenhuma diferença, a não ser pesar mais em nosso bolso.
A matéria fala de outros produtos que adquirimos pagando mais caro e que, no final, não compensa o valor pago a mais, como garantias estendidas que, além de terem o uso baixíssimo, quando acionadas estão recheadas de restrições. Ou então o tal do seguro do cartão de crédito. É verdade que R$3,00 ou R$ 4,00 por mês pode não ser grande coisa, mas, é um gasto desnecessário uma vez, pagando seguro ou não, ao termos o nosso cartão roubado, se ligarmos para operadora e bloquearmos, a partir de então, não temos mais responsabilidade pelas compras que sejam efetuadas.
Outro engodo que deve ser evitado é a compra de produtos piratas. Além de ser uma prática ilegal, a economia que se pensa estar fazendo ao comprar estes produtos, também não compensa. Para começar, sendo de qualidade é inferior, obviamente irá durar bem menos do que o produto original. Mas existe algo ainda mais grave que são os riscos à saúde que podem oferecer, como é o caso dos sapatos tênis, que causam danos aos pés, dos óculos que prejudicam a retina, das baterias de celular que podem explodir e causar queimaduras ou dos brinquedos que, ao se quebrar, podem se transformar em peças pontiagudas, ferindo as crianças.
As operadoras de telefonia celular, por exemplo, podiam ter mais atenção com seus clientes, não os deixando esperar uma infinidade de tempo para ser atendido, passando de um para outro atendente como se fosse uma brincadeira de mau gosto.
Portanto no dia dedicado ao Cliente, vamos aceitar as homenagens nos oferecidas mas, também, vamos pensar um pouco mais na hora de exercemos esta função, preservando não apenas o nosso bolos mas, algo mais importante, a nossa saúde.
domingo, 4 de setembro de 2011
GENTILEZA GERA GENTILEZA
Eu sei que vocês podem pensar que eu estou escrevendo sobre temas que já falei antes. E é isso exatamente. Volto a falar de gentileza porque não me conformo que as pessoas não deem a isso a importância devida.
E volto ao assunto por causa de um e-mail que recebi de umas de minhas filhas na semana passada, falando contando uma história real sobre um fato acontecido em um frigorífico da Noruega.
O título é: Salvo pela gentileza, e abaixo reproduzo o texto que, infelizmente, não sei a autoria.
“Conta-se uma história de um empregado em um frigorífico da Noruega.
Certo dia ao término do trabalho foi inspecionar a câmara frigorífica. Inexplicavelmente, a porta se fechou e ele ficou preso dentro da câmara. Bateu na porta com força, gritou por socorro, mas ninguém o ouviu, todos já haviam saído para suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo.
Já estava quase cinco horas preso, debilitado com a temperatura insuportável.
De repente a porta se abriu e o vigia entrou na câmara e o resgatou com vida.
Depois de salvar a vida do homem, perguntaram ao vigia:
Porque foi abrir a porta da câmara se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho?
Ele explicou:
Trabalho nesta empresa há 35 anos, centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias e ele é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã e se despede de mim ao sair.
Hoje pela manhã disse “Bom dia” quando chegou.
Entretanto não se despediu de mim na hora da saída. Imaginei que poderia ter-lhe acontecido algo. Por isto o procurei e o encontrei...”
Fiquei encantada com a história, pois defendo com ardor a teoria de que devemos sempre procurar transformar os lugares em que vivemos em ambientes alegres e fraternos.
Não suporto a ideia de um dia acordar para trabalhar e isso me angustiar e entristecer.
Eu sei que nem todo mundo tem o privilégio de trabalhar fazendo o que gosta. Mas já imaginou o que é fazer algo que não goste e ainda conviver em ambiente de trabalho hostil?
Dar bom dia, dar até logo, agradecer, dar um sorriso, são coisas simples e não custa um centavo. Mas o bem que fazem, igual àquele cartão, não tem preço.
Diz uma música que cantávamos no Encontro de Jovens com Cristo do Colégio Salesiano, nos anos 70, para acordar a turma de manhã cedinho, que diz: “saber dar um bom dia cheio de bondade, dizer bom dia com sinceridade, é dar sempre melhor, do nosso coração, alô, bom dia irmão”.
Porque a gentileza deve vir do coração, caso contrário, faz mais mal do que bem.
E a gentileza não se resume ao cumprimento ou agradecimento. Ser gentil é ser humilde e ouvir quando alguém se prontifica a nos informar ou ensinar alguma coisa. Sou muito ligada à música de uma maneira geral e gosto de citar trechos que traduzam meu pensamento. Por isso, lembro sempre de Gonzaguinha quando ele canta: Viver! E não ter a vergonha De ser feliz, Cantar e cantar e cantar, A beleza de ser Um eterno aprendiz...”
Somos todos aprendizes nesta vida. Ninguém é tão sábio que não possa aprender alguma coisa. O aprendizado não é uma troca? Porque quem ensina sempre aprende algo, não tenho a menor dúvida.
Então vamos combinar o seguinte: vamos dar uma revisada em nossa atitude em relação à vida? Será que estamos dando bom dia com alegria, dando o melhor de nosso coração? Estamos tendo a humildade de, mesmo quando nos colocamos no lugar de mestres, aprender com os discípulos ou, simplesmente, com quem está do nosso lado?
Será que estamos realmente convencidos de que a gentileza gera gentileza?
Como? Você já sabia disso? Então o que está esperando pra transformar a teoria em prática? Se pratica, parabéns! Com certeza, quando espelhamos gentileza, os lugares por onde passarmos vão se tornar bem melhores.
Pense nisso!
domingo, 28 de agosto de 2011
IMPUNIDADE ATÉ QUANDO?
Vejam que ironia, o coordenador da Lei Seca no Rio de Janeiro, após beber, segundo ele, meia taça de vinho, atropelou quatro pessoas, uma das quais, um ajudante de pedreiro, faleceu.
Interrogado por jornalistas, o advogado de defesa ainda fez um comentário colocando as vítimas como culpadas por estarem ali no local: “vocês viram o local, viram a rua?” Perguntou ele aos jornalistas.
No mesmo Rio de Janeiro, um bonde descarrila, mata seis pessoas e fere mais de cinquenta. O comentário geral era de que não havia manutenção.
São balas perdidas que matam inocentes, são pessoas alcoolizadas que atropelam e matam, são pegas nas tardes de domingo, mostrados na televisão, com atropelamento incluído no programa.. . enfim, são tantos os crimes que vemos nos jornais e nas TVs, todos os dias, para os quais não vemos punição que chegamos a nos questionar se realmente, algum dia, a justiça será feita, com a prisão destas pessoas que matam impunemente sob o veredicto de crime culposo, sem intenção de matar.
Ora, se eu estou bebendo e vou dirigir, eu sei dos riscos que isso traz como a diminuição dos reflexos, sonolência e até mesmo diminuição da visão. E esses, digamos, efeitos colaterais da ingestão de álcool são o limite entre evitar ou provocar um acidente.
Enquanto os acidentes de trânsito causados por bebida continuarem a ser tratados como culposo e, mesmo em caso de condenação, as penas serem leves, atropelamentos seguidos de morte ou invalidez vaso continuar acontecendo, sem que seus autores precisem se preocupar com as punições.
Enquanto os meios de transporte, sejam bondes, ônibus, barcos ou aviões, continuarem a matar seus passageiros, por falta de manutenção e isso também ficar impune, pra que se preocupar e gastar dinheiro com manutenção? Afinal quem vai pagar por isso?
O custo desta impunidade é muito alto. Ele está sendo paga com vidas humanas.
Mas quem, além dos familiares que perderam seus entes queridos, se importa com isso?
O nosso país está crescendo, se desenvolvendo a olhos vistos. Mas, o desenvolvimento, para ser completo, não basta ser apenas econômico. Tem que ter também o desenvolvimento, a modernização da justiça.
É preciso investir para que, no futuro, além de ser uma potência econômica, o Brasil seja também uma potência no que diz respeito à justiça no seu mais amplo sentido.
domingo, 7 de agosto de 2011
HÁ MOMENTOS NA VIDA DE UM HOMEM EM QUE ELE VISLUMBRA O ETERNO
Esta frase, gravada em minha memória há trinat e oito anos, foi dita no filme “LOST HORIZON - SHANGRILA” ou Horizonte Perdido, por um personagem chamado Richard Conway. Um belo filme, sem dúvida nenhuma, que assisti com os meus amigos, a minha turma, na década de 70, quando a única certeza que tínhamos era que iríamos mudar o mundo.
O tempo passou, um bocado, diga-se de passagem, mas eu nunca desisti de mudar o mundo. Sabe aquela chama que fica acesa para sempre? Ao contrário de Cazuza e sua “ideologia” , onde ele diz que “aquele garoto que ia mudar o mundo frequenta agora as festas do "Grand Monde"... cheguei à maturidade ainda com aquela vontade de querer sempre mudar o que não está certo.
Muitos dos amigos daquela época não encontro mais. Um ou outro acho nas mídias sociais da internete. Sobraram alguns, com as quais ainda tenho a alegria de conviver.
Muitos dos amigos daquela época não encontro mais. Um ou outro acho nas mídias sociais da internete. Sobraram alguns, com as quais ainda tenho a alegria de conviver.
Estes são aqueles que uma vez li em um cartão das paulinas “os irmãos que o coração escolheu”. Aqueles com os quais pensamos em voz volta, rimos, choramos, brigamos e fazemos as pazes. Eles estavam comigo naquela sessão de cinema de onde, emocionados, saímos leves, sentido o corpo e a alma flutuando.
Juntos batalhamos para mudar o mundo. Ou, pelo menos, para tornar o nosso país melhor. E ontem, comendo pizza, conversando sobre os velhos tempos, emocionados chegamos à conclusão que o Brasil está melhor. Bem melhor do que quando nos conhecemos, no comecinho dos anos 70. E nós ajudamos isso a acontecer, sonhando e indo em busca de nosso sonho. Acreditando que um novo Brasil era possível e lutando por isso. Lembramos dos amigos que se foram, dos ícones que admirávamos e da nossa vontade de transformar o que não concordávamos.
Ainda esta semana estava ouvindo Ivan Lins cantar “MEU PAÍS... onde ela fala:
“Aqui é o meu paísNos seios da minha amadaNos olhos da perdizNa lua na invernadaNas trilhas, estradas e veias que vãoDo céu ao coraçãoAqui é o meu paísDe botas, cavalos, estóriasDe yaras e sacisViolas cantando glóriasVitórias, ponteios e desafiosNo peito do BrasilMe diz, me dizComo ser feliz em outro lugarAqui é o meu paísDos sonhos sem cabimentoAqui sou um passarimQue as penas estão por dentroPor isso aprendi a cantar,Voar, voar, voar "
O Brasil não é nenhuma Sangrila, nem está perto de ser um paraíso. Mas, como Ivan Linz finaliza sua música, eu pergunto: “Me diz, me diz Como ser feliz em outro lugar”?
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