segunda-feira, 8 de maio de 2017

A BANCA DO DESTINO


 Lendo as matérias postadas no Facebook, onde, confesso, costumo me atualizar por não ter paciência para ler, ouvir ou ver notícias na mídia tradicional, fui ficando um tanto impaciente com toda essa arbitrariedade reinante hoje no Brasil, onde quem está a frente dos quatro poderes (sim quatro, incluindo a Mídia) faz o que quer, como quer, com quer e só é punido quem estiver do lado oposto desses poderes: ou sejam a maior parte da população brasileira.

E, afora essas arbitrariedades institucionais, ainda existem as do cotidiano, praticadas pelas pessoas sem poder, sem dinheiro algumas vezes, mas que sonham com eles e, por isso, agem como se estivessem com o mando de campo nas mãos. Daí se dão ao direito de serem homofóbicas, racistas, misóginos, machistas, classistas, menosprezam os portadores de deficiências, os idosos, os índios e que destilam todo o seu ódio e veneno contra quem, a duras penas, conquistou algum direito como por exemplo comer três vezes por dia, ter um emprego remunerado dignamente, estudar ou ter uma casinha para morar.

Não foram poucas as pessoas que se revoltaram porque as domésticas conquistaram o direito de ter o seu horário de trabalho regulamentado.  Algumas ignoram a lei e continuam explorando seus empregados domésticos com uma jornada diária das cinco da manhã às dez da noite. Sei de casos em que o patrão pode chegar em casa dez da noite, a funcionária pode estar dormindo, não importa. Tem que levantar e colocar o jantar par ele. E a funcionária se submete porque não entendeu ainda que a sua força de trabalho e só sua, o patrão não pode tirar isso dela e ela poderia trabalhar em outro lugar.

E daí li um artigo, de um professor da UFBA, Rodrigo Perez, onde ele finaliza dizendo: “Não se enganem, meus amigos, o golpe quer ver Lula morto não pelos seus erros. Os erros de Lula todos nós conhecemos e só o povo brasileiro, nas urnas, pode julgá-lo. O golpe quer ver Lula morto pelos seus acertos”.

E foi aí que me veio à cabeça a letra de uma música bem antiga, chamada A BANCO DO DESTINO, de Billy Blanco. Pesquisando sobre ela, encontrei a sua origem, que compartilho agora com vocês.

De acordo com o que pesquisei, Billy Blanco compôs a música inspirado em um fato contado a ele por Dolores Duran, em meados dos anos 1950, quando ela se apresentava em das boates boate de Copacabana, no então famosíssimo “Beco das Garrafas”. Havia um homem que ia frequentemente aos shows de Dolores Duran e que era extremamente preconceituoso e racista. O tal “doutor”, como o chamavam, ia aos shows, sentava na primeira fila, mas ficava de costas par ao palco. Gostava da voz dela, mas não olhava ou se dirigia nunca a ela diretamente porque não falava com negros. Quando queria ouvir uma música , acenava para o garçom, (Albérico Campana, posteriormente dono do “Plataforma”, no Rio de Janeiro) com um bilhetinho na mão e lhe dizia: “Manda a neguinha cantar essa música aqui!”. E, paciente e profissionalmente, Dolores Duran atendia aos pedidos cantando as músicas solicitadas.

E, depois do show, comprava seu jantar para levar para casa mas não carregava até o carro, porque isso era serviço de negro. Mandava o garçom levar.

Dizem que, naquela época, ela e Billy Blanco tinham um romance e que, um dia, aborrecida com a grossura do tal “doutor”, desabafou com ele a história que inspirou, imediatamente, o samba, cantado por ela na noite seguinte, em julho de 1959.

Posteriormente o samba foi gravado por Dóris Monteiro, Elza Soares, Neusa Maria, Jair Rodrigues, Leila Pinheiro e Elis Regina, entre outros.
Confiram abaixo a letra da música e imaginem que poderia ter sido composta ontem, dada a sua atualidade. Coloco também alguns links, de algumas das gravações. É só escolher. Vale a pena ouvir e cantar: pra que tanta pose doutor, pra que tanto orgulho?

A BANCA DO DESTINO

Billy Blanco

Não fala com pobre, não dá mão a preto

Não carrega embrulho

Pra que tanta pose, doutor

Pra que esse orgulho

A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal

LINKS COM DIVERSOS CANTORES E CANTORAS:


https://www.youtube.com/watch?v=9Px3un8selk – Teresa Cristina e Joanna

https://www.youtube.com/watch?v=4PSPgpg8MUk – Billy Blanco e Billynho Blanco

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