Uma coisa é publicar matérias ou teorias sobre a não
existência de Deus ou do mal que achem que a religião causa às pessoas. Outra
coisa é publicar charges obscenas com Maomé, Deus, Jesus Cristo ou o Espírito
Santo. Da mesma forma que seria
condenável publicarem charges obscenas com políticos ou celebridades de uma
maneira geral. Um jornal que publica coisas para degradar pessoas ou religiões
não deveria nem ser chamado de jornal. É um tipo de publicação que envergonha a
classe. Não acho que podemos chamar de jornalismos esse tipo de coisa.
Dizer que a culpa é das vítimas por terem insultado os
mulçumanos seria o mesmo que dizer que as mulheres são culpadas por serem estupradas
por usarem shorts ou saias curtas. Não se trata disso. Trata-se de exigirmos
uma imprensa mais séria, mais comprometida com os valores, que tenha mais
respeito pelas pessoas, suas crenças, suas opções de vida e, sobretudo, com a
verdade.
No Brasil temos vários exemplos de publicações, em papel ou
virtual, que não estão comprometidos com a verdade ou com o respeito. E, que
com suas publicações, geraram cenas de violência, como, por exemplo, na última
campanha eleitoral.
A falta de respeito, como violência que é, gera mais
violência. Isso não justifica o ataque, é claro. Mas mostra duas coisas: o baixo
nível da imprensa em termos mundiais e a fragilidade em que se encontra a paz.
Com certeza o jornal pagou um preço muito alto por sua falta
de respeito e deboche. Quiçá, pelo menos, tenham aprendido a lição e não façam
dessa tragédia uma bandeira para continuarem a publicar suas arbitrariedades.
Na França a Lei de Imprensa data de 1891 e existe uma
agência reguladora independente. Entre outras atribuições o órgão também é
responsável por monitorar o cumprimento das obrigações por parte da mídia, como
a função educativa. O descumprimento ocasiona a aplicação de multas.
Não acho que as publicações do jornal Charlie Hebdo podem se enquadrar como
função educativa e por que publicavam livremente coisas do tipo.
A Charlie Hebdo foi fundada em
1970, quando substituiu 'Hara Kiri', semanário que reivindicava seu tom
'estúpido e malvado', fundado por Cavanna - falecido no ano passado - e Georges
Bernier. Neste ano, misturando o
drama de uma discoteca no qual 146 pessoas morreram com o falecimento de
Charles De Gaulle, o jornal intitulou 'Baile trágico em Colombey (a localidade
onde o general morreu): um morto'. O governo proibiu imediatamente a difusão da
Hara Kiri.
A redação optou, então, por uma nova fórmula editorial que
combinava quadrinhos com posições parecidas com as da Hara Kiri, mas sob um
novo título, Charlie Hebdo, em referência a Charlie Brown, o Charlie dos
Peanuts, as famosas tirinhas americanas de Charles Schulz. Não acho que o autor de uma turminha tão legal deveria encarar isso como uma homenagem.
Ao mexer com uma figura pública
como Charles De Gaulle, a publicação foi proibida.
A redação optou, então, por uma nova fórmula editorial que
combinava quadrinhos com posições parecidas com as da Hara Kiri, mas sob um
novo título, Charlie Hebdo, em referência a Charlie Brown, o Charlie dos
Peanuts, as famosas tirinhas americanas de Charles Schulz.
Aprendi na faculdade que a imprensa tem três funções: informar,
educar e divertir.
Como jornalistas tenho andado muito envergonhada
ultimamente, em relação à uma grande parcela da mídia brasileira quando incita à
violência, denigre a imagem dos outros ou publica mentiras. Quando procuro um
mínimo de programas educativos e não encontro. Quando tento me divertir
constato que as formas de diversão estão caindo cada vez mais de nível e se
tornando bizarras.
E, como jornalista e cidadã,
espero que o Marco Regulatório da Imprensa seja aprovado e que jornalistas e
empresas sejam responsabilizados pelo que publicam. Quem sabe, assim, não
melhoramos o nível de nossa mídia?
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